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É verdade que o Livre se absteve na proposta dos liberais para realizar uma sessão evocativa do 25 de Novembro?

Política
O que está em causa?
Depois de várias polémicas durante as eleições europeias - nomeadamente envolvendo a escolha do cabeça-de-lista que acabou por não conseguir um mandato na Europa - o Livre é novamente tema nas redes sociais por ter, alegadamente, optado por se abster numa proposta dos liberais que previa celebrar o 25 de Novembro como um "dos principais marcos históricos da transição portuguesa para a Democracia".
© Andre Kosters/Lusa

A tarde de ontem, na Assembleia da República, foi essencialmente dedicada aos projetos de deliberação (CDS-PP e IL) e de lei (Chega) sobre a celebração do 25 de Novembro. E se o CDS-PP e os liberais pediram apenas uma sessão evocativa do 25 de Novembro na Assembleia da República, o Chega pediu mesmo, sem conseguir, que o dia fosse instituído como feriado nacional.

O Livre, que esteve contra os documentos do CDS-PP e do Chega, absteve-se na votação do projeto do IL. E as redes sociais não perdoaram: “A esquerda, que quer unir a esquerda, une-se afinal à direita no ataque ao 25 de Abril. Muito me contas.”

Rui Tavares fez questão de se impor contra o “‘refascismo’ histórico” durante o debate das medidas, ontem à tarde, e, no X, o seu partido até partilhou o seguinte: “No 25 de abril sabemos bem o que comemoramos: fim da ditadura, da censura, da polícia política e da guerra. No 25 de novembro, não sabemos o que é que a direita quer celebrar, se não uma guerra cultural. O Livre opõe-se ao uso do 25 de novembro como arma de arremesso político.”

Apesar de ser aparentemente contra todos os documentos, o Livre deu o benefício da dúvida aos liberais, que pediram a organização de uma Sessão Plenária Evocativa (e não solene) dos cinquenta anos do 25 de Novembro de 1975 no âmbito das celebrações do cinquentenário do 25 de Abril de 1974. A declaração de voto foi feita na rede social X, já esta tarde, pelo próprio Rui Tavares: “Votámos contra haver uma sessão solene anual, votámos contra ser feriado, não nos opusemos a uma sessão evocativa (não solene, e não anual, mas singular) nos 50 anos como outras que tem havido e se vão fazer de outras datas significativas do pós-25 de Abril.”

O documento dos liberais, que foi aprovado juntamente com o do CDS-PP, pode não pedir uma sessão solene anual, mas é claro quanto à visão sobre a data a celebrar: “O 25 de novembro de 1975 representa um dos mais importantes marcos históricos da transição portuguesa para a democracia. O fim do chamado Processo Revolucionário Em Curso, fruto de uma mobilização militar em antecipação de um possível golpe da extrema-esquerda, abriu o caminho para que Portugal pudesse cimentar o seu caminho rumo a uma democracia liberal e representativa, afastando-se de vez tanto do seu passado do Estado Novo como das propostas da esquerda autoritária.” Ou ainda: “A democracia liberal e representativa, a única forma de regime que realmente assegura a proteção dos direitos políticos, sociais e económicos das pessoas, não é um destino certo ou inevitável em nenhum lugar. A democracia sempre exigiu uma dura luta pela sua construção, como exige um esforço constante de manutenção das instituições, normas e regras que a sustentam, frequentemente contra o medo, as utopias, a violência e o extremismo.”

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Avaliação do Polígrafo:

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