O primeiro jornal português
de Fact-Checking

É verdade que “o índice de corrupção em Portugal aumenta com o número de eleições”?

Política
O que está em causa?
"Pelos vistos votar é bom para os ladrões instalados no poder", conclui-se em publicação no Facebook que parece apontar para o "Índice de Percepção de Corrupção", relatório divulgado anualmente pela organização Transparência Internacional.

“O índice de corrupção em Portugal aumenta com o número de eleições. Pelos vistos votar é bom para os ladrões instalados no poder“, destaca-se num post no Facebook que está a ser partilhado no contexto da campanha em curso para as eleições legislativas de 2024.

Esta publicação suscitou dúvidas e vários leitores do Polígrafo questionam sobre se é mesmo verdade que “o índice de corrupção em Portugal” tem vindo a crescer em proporção ao número de eleições, ou nos anos em que se realizam eleições.

A fonte mais credível para aferir sobre o grau de corrupção que caracteriza um país é o “Índice de Percepção de Corrupção“, um relatório divulgado anualmente pela organização Transparência Internacional.

De acordo com o mais recente (disponível aqui), de 2023, em 180 países e territórios analisados, Portugal situa-se na 34.ª posição com 61 pontos (a par da Lituânia), numa tabela encimada pela Dinamarca (na 1.ª posição, correspondente ao país menos corrupto do mundo) com 90 pontos. Seguem-se a Finlândia (87 pontos) e a Nova Zelândia (85 pontos).

Na última posição da tabela queda-se a Somália que, numa escala que vai de zero (altamente corrupto) a 100 (nada corrupto), obtém apenas 11 pontos. Venezuela (13 pontos), Síria (13 pontos) e Sudão do Sul (13 pontos) também estão no fundo da tabela.

Ou seja, na tabela da Transparência Internacional, Portugal é o 34.º país com menores (e não maiores) níveis de corrupção. Ou mais corretamente, níveis de percepção de corrupção.

Quanto à pretensa correlação com o “número de eleições”, os dados dos últimos anos não comprovam essa ideia. Pelo contrário, desde 2012, a pontuação de Portugal no “Índice de Percepção de Corrupção” oscilou entre 61 e 64 pontos, mantendo uma trajetória estável, independentemente da realização ou não de eleições legislativas.

Em 2015, por exemplo, ano de eleições legislativas, a pontuação de Portugal aumentou de 63 para 64, o que se traduziu numa diminuição do nível de percepção de corrupção.

O mesmo se aplica ao período de maior frequência de eleições desde 2019, com a pontuação de Portugal a oscilar entre 61 e 62 pontos, permanecendo assim relativamente estável. Também não se detetam variações acentuadas no posicionamento de Portugal na tabela de 180 países e territórios.

Em suma, a alegação em causa não tem fundamento.

________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes