A China é uma das grandes potências mundiais e está a expandir-se a cada minuto. Prova disso são os milhares de chineses – cuja população total se cifra em 1.4 mil milhões de pessoas - que percorrem o mundo durante o ano, nomeadamente em Portugal. Há quem fique só de visita, há quem permaneça, criando o seu próprio negócio. Por exemplo, consultando os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) damos conta de que 2600 chineses pediram estatuto de residente no nosso país o ano passado.

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E como qualquer povo diferente do nosso, com culturas e tradições distintas,  é sempre alvo de mitos que se vão propagando no tempo. Um deles, milhares de vezes partilhado nas redes sociais, é de que não morrem cidadãos chineses em Portugal, algo já amplamente divulgado e partilhado nas sobretudo em blogues e no Facebook quando se faz uma pesquisa rápida sobre o tema.  Por exemplo, a revista Visão, que escreveu um artigo sobre mitos –mitos, não verdades - urbanos, chega mesmo a informar que “os corpos são desmembrados para os pratos de chop suey ou ocultados para que os documentos possam ser usados por imigrantes ilegais”.

O site  de entretenimento “Eu gosto e tu” chega mesmo a citar uma suposta notícia do jornal Expresso, onde, segundo o Instituto Nacional de Estatística, entre 2001 e 2004 não tinham morrido chineses em território português. O Polígrafo contactou o INE para esclarecer os números. Não havendo dados disponíveis dessa altura, o Instituto enviou a informação relativa aos óbitos de cidadãos chineses entre 2010 e 2017: 72 mortos nos últimos oito anos no Continente, assim distribuídos:

  • 2010: 9
  • 2011: 8
  • 2012: 13
  • 2014: 10
  • 2015: 2
  • 2016: 13
  • 2017: 3
  • 2018: 14

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Ou seja: confirma-se - morrem, afinal, cidadãos chineses em Portugal. Mas serão cremados e enterrados cá ou regressam à terra natal? Segundo o Presidente da Liga dos Chineses em Portugal, Yping Chow, sim. “Os chineses, com família cá, morrem em Portugal, são cemados e sepultados. Em Portugal existem vários jazigos de famílias chinesas, só a minha família tem três”, conta Yping ao Polígrafo, que vem de uma família que já está em território nacional está há mais de oito décadas. Os que morrem por acidente ou doença sem familiares em solo português, podem regressar ao país de origem, a pedido da família, esclareceu o mesmo responsável.

 O Polígrafo tentou contactar a embaixada da China em Portugal mas não obteve qualquer resposta sobre estas questões até ao momento.

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