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É verdade que “não há água quente no Parlamento Europeu” devido a um problema nos canos?

União Europeia
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Excertos de uma entrevista concedida pelo eurodeputado polaco Dominik Tarczyński – dando conta de que há já vários anos “não existe água quente no Parlamento Europeu” – têm vindo a ser disseminados recentemente nas redes sociais. Porém, as suas afirmações carecem de contextualização para que possam ser compreendidas.
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“O engraçado é que, nos últimos quatro anos, não tem havido água quente no Parlamento Europeu”: a afirmação terá sido proferida, segundo um vídeo que se encontra a circular na rede social TikTok, por um eurodeputado.

Ora, a afirmação, segundo a legenda que acompanha a publicação do mesmo vídeo no YouTube, em agosto deste ano, terá sido proferida por “Dominik Tarczyński, um corajoso deputado polaco no Parlamento Europeu”, em entrevista ao podcast do empreendedor Patrick Bet-David.

“Não existe água quente porque havia algo de errado com os canos do Parlamento e não o conseguiram arranjar durante os últimos 5 anos”, disse ainda o eurodeputado, acrescentando que “toda a gente que usa a casa de banho do Parlamento Europeu sabe que não há água quente”.

Tendo deixado, para concluir, um apelo: “Parlamento Europeu, arranjem os canos. Isto é uma anedota.” 

Mas será que se confirma esta narrativa?

De facto, o “Politico” publicou, em novembro de 2017, uma notícia onde dava conta de que os eurodeputados estavam já “em polvorosa com a notícia de que a água quente dos seus chuveiros pessoais” seria “desligada devido a um risco para a saúde”.

Ora, de acordo com a mesma fonte, num “e-mail interno visto pelo ‘Politico’, os questores – um grupo de legisladores da UE [União Europeia] que trata de assuntos administrativos e das condições de trabalho dos deputados – informaram os seus colegas que ‘aprovaram por unanimidade a recomendação de encerrar permanentemente o circuito de água quente nos gabinetes dos deputados devido a um risco demasiado elevado para a saúde’”. 

Segundo o mesmo jornal, a recomendação foi feita pelo serviço médico do Parlamento Europeu e por um perito independente, alertando para o facto de “os circuitos de água quente estarem deteriorados devido à sua idade e conterem ‘tubos sem saída’, causando um risco permanente para a saúde ligado ao potencial crescimento de bactérias nocivas”, lia-se no mesmo e-mail. Em causa uma decisão que, mais concretamente, afetaria os gabinetes de Estrasburgo e Bruxelas.

Meses antes, o “Politico” tinha noticiado que legisladores e funcionários europeus tinham sido informados sobre a deteção de Legionella nos chuveiros do edifício Altiero Spinelli, em Bruxelas, o que levou a que a água quente fosse igualmente desligada durante várias semanas, para a realização de testes.

Em resposta agora enviada ao Polígrafo, o serviço de imprensa do Parlamento Europeu elucidou, de forma semelhante, que esta “decisão de suspender a distribuição de água quente nos gabinetes dos deputados apenas em Bruxelas e Estrasburgo foi tomada em outubro de 2017, devido ao risco para a saúde colocado pelos sistemas hidráulicos que fornecem esse serviço específico” – e na sequência de “recomendação do serviço médico” nesse sentido.

Porém, esta fonte informou que os “serviços do Parlamento adotaram várias medidas para assegurar a distribuição de água quente a utilizadores-chave específicos nos seus edifícios, como o serviço médico, os vestiários para as pessoas que se deslocam de bicicleta ou as kitchenettes”.

Assim, conclui-se que o excerto da alegação proferida pelo eurodeputado polaco – que agora circula nas redes sociais – carece de contextualização, pelo facto de a decisão de interromper a distribuição de água quente nos gabinetes dos seus representantes parlamentares ter sido tomada por questões de saúde pública. Além do mais, neste momento tal fornecimento é mantido em algumas zonas-chave do edifício, onde esse fornecimento é indispensável, como explicou ao Polígrafo fonte oficial desta instituição europeia.

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Avaliação do Polígrafo:

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