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É verdade que Lula da Silva “será julgado pelo Supremo Tribunal Internacional”?

Internacional
O que está em causa?
Vídeo partilhado viralmente nas redes sociais revela uma suposta "bomba": que o atual Presidente do Brasil estará a ser alvo de um processo judicial por parte de um tal de "Supremo Tribunal Internacional". Mas essa entidade nem sequer existe. O Polígrafo esclarece o que está em causa.

“É bomba. Lula será julgado pelo Supremo Tribunal Internacional”, lê-se num vídeo divulgado recentemente na rede social Instagram, onde se apela à partilha em larga escala da referida acusação, que visa o atual Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. E surge ainda, no texto que acompanha as imagens, que conta já com dezenas de reações e comentários, a mensagem: “E dessa ele não escapa.”

A alegação é acompanhada por um excerto de declarações proferidas por uma comentadora política do país, Ana Paula Henkel – sem que ela, no entanto, faça uma referência direta a essa suposta alegação que visa o político brasileiro, que foi detido, no passado, por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Mas será que a acusação tem qualquer tipo de fundamento?

Primeiro que tudo, importa referir que não existe qualquer entidade intitulada “Supremo Tribunal Internacional”. Além disso, não existem evidências, em órgãos de comunicação social credíveis, que sustentem a tese de que o atual Presidente do Brasil estará a ser alvo de qualquer processo judicial em tribunais internacionais – nomeadamente por parte do Tribunal Penal Internacional (TPI).

Aliás, uma pesquisa por essa alegação no motor de pesquisa do Google remete para um artigo, realizado pela equipa de fact-checking da agência Reuters, que desmente igualmente esse argumento.

Quanto às declarações da comentadora Ana Paula Henkel, erroneamente associadas a esta narrativa, importa notar que as mesmas foram proferidas, a 19 de janeiro deste ano, num episódio do programa “Oeste sem Filtro”, da “Revista Oeste”, transmitido no YouTube.

Nesse momento, Henkel afirmou: “Nós estamos a falar de um Presidente, ou seja, um funcionário público do Brasil, que agora tem a obrigação de apresentar provas de que o nosso Judiciário estava sob o comando do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América (EUA). Essa é uma acusação gravíssima. Se ele não apresentar provas, fica o questionamento. Ele vai entrar no inquérito das fake news? Essa mentira vai ser dita sem nenhuma consequência?… Isso pode causar um incidente diplomático gravíssimo.” Não há, portanto, qualquer referência à narrativa que tem vindo a ser disseminada nas redes sociais.

Tratou-se, mais concretamente, de um comentário que surgiu na sequência de declarações proferidas por Lula da Silva, no dia anterior, aparentemente relacionadas com a Operação Lava Jato, no âmbito da qual o político foi condenado. “Tudo o que aconteceu nesse país foi uma mancomunação entre alguns juízes desse país e alguns procuradores desse país subordinados ao Departamento de Justiça dos EUA, que nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a Petrobras”, afirmou o Presidente do país, a 18 de janeiro.

Perante estes factos, atribuímos à alegação o carimbo “Falso”.

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Avaliação do Polígrafo:

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