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É verdade que há projetos fotovoltaicos aprovados nas zonas que arderam este mês em Espanha?

Ambiente
O que está em causa?
Os incêndios de julho estão a ser apontados como dos mais mortíferos de sempre em Espanha. Entretanto surgem nas redes sociais alegações que associam estes fogos a projetos fotovoltaicos. A associação tem sido amplamente partilhada, mas será que se confirma?

Nas redes sociais surgem publicações que associam os incêndios deste mês na Catalunha e Andaluzia, em Espanha, à instalação de centrais fotovoltaicas, sugerindo que as áreas ardidas coincidem com projetos já aprovados. Mas há factos que sustentem essa narrativa? 

Não. A documentação oficial e a localização dos projetos mostram uma realidade diferente.

A alegação começou a circular depois dos incêndios que afetaram Alt Camp, na Catalunha, e também na zona de Los Gallardos, na Andaluzia. Em várias publicações, afirma-se que os fogos, que deflagraram a 12 de julho, terão ocorrido em terrenos destinados à instalação de parques fotovoltaicos, insinuando uma relação entre os incêndios e esses projetos. 

Trata-se de uma narrativa recorrente que ressurge sempre na época de incêndios e em zonas onde existem investimentos previstos para energias renováveis. Porém, a alegação não resiste à verificação dos factos. 

É verdade que há dois projetos fotovoltaicos autorizados na região de Alt Camp, localizados nos municípios de Montferri e Puigpelat. Contudo, à data de 14 de julho e de acordo com o jornal espanhol “Maldita”, nenhum deles se situava na área afetada pelos incêndios: um encontrava-se a cerca de 15 quilómetros do foco principal e o outro a aproximadamente 20 quilómetros. Além disso, nenhum dos terrenos previstos para essas centrais foi atingido pelas chamas.

Também em Los Gallardos, em Andaluzia, existe um grande projeto fotovoltaico previsto, mas também sem qualquer ligação ao incêndio. O facto de uma infraestrutura energética estar projetada ou até já licenciada para uma determinada região não constitui prova de que um fogo tenha sido provocado para viabilizar a sua construção.

Até ao momento, não foram apresentadas evidências pelas autoridades espanholas que sustentem essa relação de causa-efeito. Aliás, as investigações preliminares apontam como causa dos incêndios em Los Gallardos, Andaluzia, a queda de um cabo elétrico que abastecia infraestruturas abandonadas como o possível rastilho para o início do fogo.

Esta associação entre incêndios e interesses económicos não é nova. Em Portugal, por exemplo, circularam alegações semelhantes sobre uma suposta ligação entre incêndios e projetos de exploração de lítio, analisada pelo jornal “Público” em 2025. 

A sobreposição geográfica entre áreas ardidas e projetos de exploração não permite estabelecer uma relação de causa e efeito e, sem provas ou conclusões das investigações oficiais, essas narrativas não passam de especulações. 

O mesmo princípio aplica-se aos casos agora divulgados em Espanha. A existência de projetos fotovoltaicos nas mesmas regiões onde deflagraram incêndios não significa que os fogos tenham sido provocados com esse objetivo.

Em suma, é falso que há projetos fotovoltaicos aprovados nas zonas afetadas pelos incêndios de julho em Espanha, que causaram a morte de 13 pessoas. Os incêndios deflagraram na mesma região, mas não afetaram os terrenos onde vão ter lugar os projetos de energias renováveis. 

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Avaliação do Polígrafo:

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