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É verdade que “em 100% dos casamentos em Portugal, 94% resultam em divórcio”?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Desde 1 de maio que circula no Twitter uma estatística relativa à taxa de divórcio em vários países. Portugal surge no topo da lista com a maior percentagem: uns impressionantes 94%. A informação é verdadeira?

Tornou-se viral no Twitter uma publicação da conta “World of Statistics” em que é divulgada uma lista de 33 países e da taxa de divórcio correspondente. Na descrição desta conta na rede social lê-se o seguinte: “Existem três tipos de mentiras: mentiras, mentiras descaradas e estatísticas”.

Da lista divulgada, a Índia surge com a percentagem mais baixa: 1%. Para surpresa de muitos, Portugal é indicado como o país com a taxa de divórcio mais alta: 96%.

“É impossível que em 100% dos casamentos em Portugal 94% dá em divórcio, recuso-me a aceitar isto”, destaca-se num dos tweets em que a estatística é partilhada.

O próprio Twitter já sinalizou este post com o seguinte aviso: “Os números referem-se a um ano específico, então este tweet pode ser enganoso. Esta estatística não significa que 91% de todos os casamentos terminam em divórcio [em Portugal].”

Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial do Instituto Nacional de Estatística (INE) informa que a taxa de divórcio mais recente, divulgada pelas Estatísticas Demográficas do INE relativas a 2021, é de 1,7‰ (permilagem) estando disponível online. Esta taxa refere-se ao número de divórcios por cada 1.000 residentes num determinado ano.

Mas de onde surgiram os 94% referidos no tweet? A Pordata disponibiliza dados sobre o indicador “número de divórcios por 100 casamentos”. Em 2020, o último ano com dados definitivos, registaram-se 91,5 divórcios por cada 100 casamentos que se realizaram nesse ano. Em 2021, que já conta com dados provisórios, existe uma redução para 59,5 divórcios por cada 100 casamentos.

Mas analisemos o número de divórcios de forma geral: em 2020 registaram-se 17.295. Menos 3 mil do que em 2019 e 2018, por exemplo.

Olhando para o número de casamentos realizados em 2020, ano de pandemia e de restrições a celebrações deste tipo, verifica-se que foram registados 18.902 casamentos. Uma queda acentuada em relação a 2019, quando se registaram 33.272 casamentos. Ou seja, registaram-se menos 14 mil casamentos em ano de pandemia.

Assim, não é de admirar que em 2020 a proporção de divórcios em relação aos casamentos realizados no mesmo ano tenha aumentado significativamente. Sendo que o número de casamentos desceu significativamente graças aos impedimentos

Em suma, ao contrário da interpretação que está a ser feita nas redes sociais, não é verdade que 94% dos casamentos em Portugal acabe em divórcio. Esta percentagem (que é na verdade 91,5% e não 94% segundo a Pordata) remonta a 2020 e diz respeito ao número de divórcios que se realizaram nesse ano por cada 100 casamentos. Ou seja, não é a taxa de divórcio. Temos ainda de considerar que tratou-se de um ano atípico, pelo que o indicador não pode ser interpretado isoladamente.

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Avaliação do Polígrafo:

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