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Músicas de Taylor Swift foram banidas da Country Music Television?

Geração V
O que está em causa?
No Facebook alega-se que a cantora e compositora norte-americana Taylor Swift foi banida, de forma permanente, da Country Music Television (CMT) devido às suas músicas “woke”. Confirma-se a alegação?

“A CMT proíbe Taylor Swift para o resto da vida”, destaca um post feito no dia 26 de fevereiro de 2024 no Facebook.

A publicação inclui ainda uma montagem que coloca cantora norte-americana ao lado de uma imagem da sede da Country Music Television (CMT). Numa mensagem sobreposta à montagem lê-se ainda: “não queremos nenhuma música woke.”

Mas será que a CMT proibiu permanentemente as músicas de Taylor Swift?

Começando pelo termo “woke“, este significa, em tradução literal, “acordar” ou “despertar”, mas a palavra tem vindo a ganhar uma conotação social e política que levou a uma atualização no Dicionário de Inglês de Oxford em 2017. Isto porque “em meados do século XX”, a palavra começou a referir-se, figurativamente, a “estar ‘consciente’ ou ‘bem informado’ num sentido político ou cultural.”

Segundo o Dicionário de Oxford, “na última década, o significado [de ‘woke‘] foi catapultado para o uso dominante com uma nuance particular de ‘alerta à discriminação racial ou social e à injustiça'” devido a movimentos como a letra da música Master Teacher de Erykah Badu, de 2008, “em que as palavras ‘eu fico acordado’ servem como refrão” ou, mais recentemente, através da “associação da palavra ao movimento Black Lives Matter”.

O motivo pelo qual Taylor Swift é associada a este termo deve-se ao facto de ser uma fervorosa defensora dos direitos LGBTQI+ e também por se ter posicionado contra o ex-presidente norte-americano Donald Trump, ficando, assim, do lado dos democratas.

Quanto à publicação, esta encaminha os leitores para um artigo do dia 14 de fevereiro de 2024 no site Esspots, que, por sua vez, se descreve como um site que se destina à produção de fake news “com especialização em sátira”. A página onde esta publicação é difundida também se assume como satírica, ainda assim, na caixa de comentários, houve quem acreditasse que se tratava de uma publicação verdadeira.

Mais, não existe nenhuma indicação no site da CMT que corrobore o que é alegado na publicação ou em outros meios de comunicação social, o que seria de esperar se fosse aplicada uma medida proibitiva desta natureza contra uma das cantoras mais populares à escala global.

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Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

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