A teoria tem vindo a ganhar força, especialmente no Brasil, após a partilha de um vídeo, alegadamente protagonizado por um médico, que questiona que a vacinação contra a Covid-19 tenha “eficácia para crianças”. Até porque, segundo aponta o protagonista, esta vacina pediátrica, produzida pela Pfizer, apresenta “1.291 tipos de efeitos colaterais” - evidência de que a mesma “mata e sequela”.

A alegação proferida por um suposto profissional de saúde, que tem circulado este mês em redes sociais como o Facebook e o TikTok e que conta já com milhares de visualizações, tem sido usada como argumento por aqueles que defendem que os mais novos não devem receber a vacina.

médico

Mas será mesmo verdade que esta vacina pediátrica causa mesmo “1.291 tipos de efeitos colaterais”?

Não. Consultando a bula do medicamento, confirma-se que estão listados, na sequência dos estudos clínicos realizados e a “experiência pós-autorização” para a administração da vacina, apenas cerca de duas dezenas de reações adversas após a inoculação em crianças com menos de cinco anos - desde diarreia e febre, a reações alérgicas graves.

Olhando para o caso das “pessoas com cinco anos de idade ou mais”, a listagem dos efeitos secundários robustece-se ligeiramente, mas ficando-se na ordem das três dezenas (em grande medida coincidentes com os contabilizados acima). Muito aquém, ainda assim, do que se alega na publicação aqui analisada.

Importa notar, no entanto, que a dúvida surgiu na sequência de uma má interpretação de um relatório apresentado pela Pfizer à FDA (a agência para os medicamentos e alimentos dos Estados Unidos), em novembro de 2021. Porém, aquilo que aí se apresentava era uma lista de "eventos adversos de interesse especial” - que não se tratavam de efeitos confirmados, mas de reações hipotéticas a que os investigadores deveriam estar atentos.

O tema foi também alvo de análise por parte de outros projetos de fact-checking, como a "Reuters", a "AFP Checamos" e a agência "Lupa".

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