É com recurso à partilha de uma imagem tirada de um story no Instagram do Bloco de Esquerda (BE) - para justificar o que é expresso na publicação - que o partido Ergue-te afirmou que a "substituição populacional é apoiada pela extrema esquerda traidora".

No post que data de 22 de outubro exibia-se uma imagem de um vídeo partilhado no Instagram do BE da manifestação convocada pelo movimento Vida Justa na qual alguns representantes bloquistas, incluindo a coordenadora Mariana Mortágua, marcaram presença. Nesse story lê-se: "Racistas, fascistas, chegou a vossa hora! As imigrantes ficam e vocês vão embora!".

Partindo desta imagem, o Ergue-te apontou que "55% dos eleitores não votam" e que "10% da população residente em Portugal é estrangeira, e a larga maioria nas próximas eleições vai poder votar".

Mas será verdade que 55% dos eleitores não vota e 10% da população residente em Portugal é estrangeira?

Começando pelos eleitores, nas últimas eleições para a Assembleia da República, em 2022, a taxa de abstenção fixou-se em 48,6%. Segundo a base de dados Pordata, a maior taxa de abstenção desde 1975 foi de 51,4% e foi registada em 2019. Ainda que elevada, não chegou aos 55% indicados no post. 

Quanto à população estrangeira residente em Portugal, o Polígrafo SIC analisou o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo. Este aponta que em 2022 havia 781.915 cidadãos estrangeiros titulares de autorização de residência, num universo superior a 10 milhões. Destes, de acordo com a Pordata, estavam recenseados apenas um total de 31.043 cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, num universo global de 10.872.921 eleitores recenseados. Ou seja, os números apresentados pelo Ergue-te não têm qualquer credibilidade

O Polígrafo questionou o partido "Ergue-te" sobre qual a fonte usada para os dados apontados. Em resposta, o presidente do partido, José Pinto-Coelho, não a quis divulgar: "Mais do que números importa-nos o rumo das coisas, a experiência do que se passa lá fora, o que a História nos ensina e os cenários que se desenham, pelo que, é preciso alertar para os perigos, denunciar situações e agitar consciências".

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