“Esta gente perdeu o juízo de vez e acredita que vale tudo para concretizar as suas loucuras. Quem no seu devido juízo escolheria o histórico Jardim da Parada, onde existem algumas das mais importantes árvores de Lisboa, como o local ideal para  esburacar e instalar uma estação de metro?”, questiona-se numa publicação partilhada num grupo de Facebook com mais de 27 mil membros, a 24 de abril.

O texto é acompanhado de uma imagem onde se vê um projeto da localização exata da futura estação que, segundo o post, poderá ser construída sob o Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.

Confirma-se?

O Polígrafo consultou o Estudo de Impacto Ambiental do prolongamento da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara do Metropolitano de Lisboa, que está em consulta pública de 21 de abril a 2 de junho, e confirmou que as alegações feitas na publicação em análise são verdadeiras.

Segundo este documento, será “inevitável a necessidade de abate de algumas das árvores do Jardim da Parada para a instalação dos dois poços de ataque”, sendo que o número e porte das árvores a abater “dependem da localização exata e das medidas de segurança associadas à abertura dos poços de ataque”.

O estudo explica, contudo, que serão abatidas apenas árvores sem classificação de interesse público. No entanto, os autores do relatório consideram que “poderá haver impactos indiretos sobre as três árvores classificadas presentes no Jardim Teófilo Braga”. Ainda assim, este impacto negativo será “pouco provável, indireto, local, temporário, reversível, de reduzida magnitude”, podendo ir de “pouco significativo a significativo, dependendo das consequências da perturbação das raízes para a integridade das árvores”.

Será “inevitável a necessidade de abate de algumas das árvores do Jardim da Parada para a instalação dos dois poços de ataque”, sendo que o número e porte das árvores a abater “dependem da localização exata e das medidas de segurança associadas à abertura dos poços de ataque”.

Num esclarecimento enviado ao Polígrafo, o Metro de Lisboa sublinha que “o abate de árvores no Jardim da Parada fica a dever-se apenas a necessidades imprescindíveis de âmbito técnico e de segurança para a concretização da construção da estação Campo de Ourique”.

Nesse plano, acrescenta, “os estudos das componentes de paisagismo e fitossanitária considera o abate de seis lódãos (celtis australis) no Jardim Teófilo Braga/Jardim da Parada, mas não integram o grupo de espécies florestais protegidas por lei específica”. A empresa adianta que “está prevista a reposição no final da obra de quatro árvores no âmbito da preocupação do Metro de Lisboa a nível paisagístico”.

Importa sublinhar que, apesar de estar previsto o abate de apenas seis árvores no Estudo de Impacte Ambiental, um aditamento a este relatório salienta que "apenas em fase de projeto de execução será possível determinar, com rigor, quais as árvores afetadas pela implementação do projeto". Assim sendo, nesta fase, não se pode afirmar o número concreto de árvores não classificadas que serão abatidas.

De acordo com a mesma fonte oficial, “no Estudo de Impacto Ambiental relativo ao prolongamento da Linha Vermelha a Alcântara que se encontra atualmente em Consulta Pública, é referida a necessidade de abate de oito árvores”. No entanto, “o Metro e as entidades envolvidas já conseguiram reduzir esse número para seis árvores, com vista a minimizar e proteger a natureza envolvente”.

Em suma, é verdade que a construção da nova estação do metro em Campo de Ourique obrigará a abater algumas árvores. No entanto, segundo o estudo de impacto ambiental, os exemplares arbóreos com classificação de interesse público não correm risco de abate.

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