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É raro que um partido que está no Governo vença as eleições europeias em Portugal?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Trata-se de uma ideia que tem sido veiculada por vários comentadores, nos jornais e nas estações de televisão, antevendo uma provável vitória do PS nas eleições para o Parlamento Europeu, no dia 26 de maio. A confirmar-se, dizem que seria um feito raro, tendo em conta as anteriores eleições. É mesmo assim? Verificação de factos.

As mais recentes sondagens apontam para uma vitória folgada do PS nas eleições para o Parlamento Europeu, agendadas para o dia 26 de maio. Antevendo essa provável vitória do PS, vários comentadores têm salientado que, a confirmar-se, será um feito raro, pois as eleições europeias costumam resultar em derrotas para o partido que está no Governo.

Confirma-se, de facto, essa tendência de derrota nas eleições europeias do partido que está no Governo? Ou reformulando, é raro que um partido que está no Governo vença as eleições europeias em Portugal?

Atentemos nos resultados das sete eleições para o Parlamento Europeu já realizadas em Portugal, entre 1987 e 2014, destacando as posições dos partidos que estavam na altura no Governo ou na liderança da oposição parlamentar:

 

2014

PS (Oposição) – 31,46% dos votos, 8 mandatos

PSD/CDS-PP (Governo) – 27,71% dos votos, 7 mandatos

 

2009

PSD (Oposição) – 31,71% dos votos, 8 mandatos

PS (Governo) – 26,53% dos votos, 7 mandatos

 

2004

PS (Oposição) – 44,53% dos votos, 12 mandatos

PSD/CDS-PP (Governo) – 33,27% dos votos, 9 mandatos

 

1999

PS (Governo) – 43,07% dos votos, 12 mandatos

PSD (Oposição) – 31,11% dos votos, 9 mandatos

 

1994

PS (Oposição) – 34,87% dos votos, 10 mandatos

PSD (Governo) – 34,39% dos votos, 9 mandatos

 

1989

PSD (Governo) – 32,75% dos votos, 9 mandatos

PS (Oposição) – 28,54% dos votos, 8 mandatos

 

1987

PSD (Governo) – 37,45% dos votos, 10 mandatos

PS (Oposição) – 22,48% dos votos, 6 mandatos

 

Em sete eleições contabilizam-se quatro vitórias para o partido que estava na liderança da oposição e três vitórias para o partido que estava no Governo. Quase metade de vitórias para o partido que estava no Governo não é propriamente uma raridade, mas há que ter em conta que é algo que não acontece desde 1999 e que se verificou sobretudo nas duas primeiras eleições europeias, em 1987 e 1989, quando o PSD liderado por Aníbal Cavaco Silva dominava a cena política portuguesa (com duas maiorias absolutas parlamentares em 1987 e 1991).

Aliás, as eleições europeias de 1987 realizaram-se num contexto muito singular: em simultâneo com eleições legislativas antecipadas, na sequência da queda do Governo minoritário do PSD de Cavaco Silva devido à aprovação de uma moção de censura no Parlamento, por iniciativa do PRD.

No dia 19 de julho de 1985, o PSD venceu as eleições europeias por uma margem considerável e, ao mesmo tempo, conquistou uma maioria absoluta (até então inédita na democracia portuguesa) nas eleições legislativas, alcançando 50,22% dos votos.

Optamos assim pela classificação de impreciso, dadas as particularidades sublinhadas.

Avaliação do Polígrafo:

 

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