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É proibido viajar com bicicleta nos comboios da Fertagus quando há “grandes aglomerações”?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em publicação no Facebook exibe-se um aviso da suposta proibição em vigor nos comboios da Fertagus, na linha entre Lisboa e Setúbal. Verdadeiro ou falso? E como é que se determina a escala de "grandes aglomerações de passageiros"?

Não é permitido viajar com bicicleta quando se verifiquem grandes aglomerações de passageiros“, destaca-se na imagem exibida numa recente publicação no Facebook, indicando que se trata de um “aviso num comboio da Fertagus“, empresa privada (do grupo Barraqueiro) que explora a concessão da linha ferroviária entre Lisboa e Setúbal (com passagem na plataforma inferior da Ponte 25 de Abril) ao nível do Transporte Suburbano de Passageiros.

Verdadeiro ou falso?

Na página da Fertagus confirmamos que essa proibição está mesmo em vigor nos comboios dessa operadora, informando mais detalhadamente que “o transporte gratuito de bicicletas é permitido nos comboios Fertagus, todos os dias da semana, exceto quando se verificam grandes aglomerações de passageiros nas plataformas ou no interior dos comboios”.

Quando se verifica essa situação, “os utilizadores de bicicletas devem aguardar o embarque e seguir as instruções dadas pelos funcionários da Fertagus para esse fim”.

Acrescem outras restrições: “O transporte de bicicletas deve ser de efetuado de modo a não obstruir as portas ou dificultar, de qualquer forma, a entrada e saída de passageiros. O passageiro que transporta a bicicleta deve aceitar as sugestões e indicações fornecidas pelos funcionários da Fertagus para esse fim.”

E mais proibições, a saber: “é proibido de andar de bicicleta no interior da infraestrutura; é proibido o uso de escadas rolantes e elevadores para o transporte de bicicletas; cada passageiro pode transportar apenas uma bicicleta; cada carruagem só pode transportar até duas bicicletas; os passageiros são responsáveis ​​por todos os danos causados ​​pelas respetivas bicicletas durante o transporte.”

Em publicação no Facebook contrapõe-se uma "boa notícia" - "Portugal é o maior produtor de bicicletas da União Europeia" - a uma "má notícia" - "é o país da União Europeia que menos as utiliza como meio de transporte". O Polígrafo verifica.

Mas como é que se determina em que consistem as “grandes aglomerações de passageiros”?

Em resposta ao Polígrafo, a Fertagus indica que “grande aglomeração de passageiros corresponde a situações em que o comboio se encontra cheio, sem lugares sentados disponíveis e com passageiros em pé a ocupar os corredores e halls de entrada das carruagens”.

Portanto, “nestas circunstâncias a entrada de bicicletas não é aconselhável, na medida em que a sua dimensão e a falta de espaço para as acomodar põe em causa a segurança dos restantes passageiros e condiciona fortemente a entrada/saída e circulação no interior dos comboios”.

A Fertagus sublinha ainda que “estas situações ocorrem maioritariamente às horas de ponta da manhã no sentido Sul/Norte, ou horas de ponta da tarde no sentido Norte/Sul, durante os dias úteis”.

Questionada sobre a limitação a que estes clientes estão sujeitos, tendo de esperar por um comboio que esteja mais vazio, a Fertagus defende que “as questões de segurança e acessibilidade nos comboios devem ser garantidas aos passageiros” e, por isso, devem “os utilizadores de bicicletas deslocar-se em horários ou carruagens com espaço disponível para os acomodar“.

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Avaliação do Polígrafo:

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