A informação já é familiar para grande parte dos utilizadores: deixar a câmara de um computador portátil desprotegida acarreta perigos, uma vez que um pirata informático pode conseguir aceder ao computador e ganhar o controlo quer da webcam quer do microfone, sem que o utilizador se aperceba.

Porém, será que o risco é exatamente o mesmo nas câmaras dos telemóveis, que andam habitualmente desprotegidas? A resposta é sim, porém com contornos diferentes do perigo associado aos computadores, tal como dá conta a plataforma espanhola de verificação de factos Maldita.es.

Quando se fala em risco de intromissão através da câmara e do microfone em telemóveis, o perigo espreita, geralmente, através das aplicações instaladas e das permissões que se dão a essas mesmas aplicações, e não através da intromissão direta de um pirata informático no aparelho móvel.

São vários os especialistas que já alertaram para o facto de que dar permissão a uma app para aceder à câmara de um telemóvel permite a gravação de fotografias e vídeos sem uma ação voluntária do utilizador. Sendo assim, deve ser negada a permissão para usar a câmara e o microfone a uma app que não precise de os usar.

São vários os especialistas que já alertaram para o facto de que dar permissão a uma app para aceder à câmara de um telemóvel permite a gravação de fotografias e vídeos sem uma ação voluntária do utilizador. Sendo assim, deve ser negada a permissão para usar a câmara e o microfone a uma app que não precise de os usar.

Sergio Carrasco, advogado especialista em cibersegurança e engenheiro de telecomunicações, explica ao Maldita.es que, habitualmente, "não temos consciência de que o telemóvel é mais um computador do que um aparelho para fazer chamadas". Além disso, Carrasco avisa que "há muitas aplicações pouco confiáveis nas lojas de aplicações, várias tentando fazer-se passar pelas oficiais" de um determinado produto.

  • Covid-19: Google está a instalar app secreta em telemóveis para vigiar utilizadores?

    A pandemia parece ser uma desculpa para que a gigante tecnológica norte-americana transfira, para smartphones Android, uma aplicação secreta relacionada com a Covid-19, cujo objetivo é vigiar as movimentações dos utilizadores. A suspeita é levantada por vários posts nas redes sociais. Mas será verdade que a Google está a aproveitar uma doença à escala global para enganar milhões de clientes?

Por isso, a recomendação é sempre, por um lado, descarregar programas ou aplicações em páginas autorizadas ou sites oficiais e ter atenção às permissões que pedem quando são instaladas. Por outro lado, é recomendável dar às aplicações apenas as permissões estritamente necessárias, para que a privacidade e intimidade dos utilizadores fique salvaguardada ao máximo.

Em conclusão, é verdadeiro que as câmaras dos telemóveis, à semelhança das câmaras dos computadores portáteis, podem ser uma porta aberta à violação da intimidade dos utilizadores. Porém, se no caso dos computadores o acesso à câmara é feito através da intromissão direta de um pirata informático no equipamento, no caso dos telemóveis a permissão para a utilização da câmara é sempre dada pelos utilizadores, pelo que a melhor estratégia é a cautela nas permissões que se dão e às apps que se instalam.

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