No topo do post surge a principal alegação: "80 mil portugueses emigraram em 2019". Mais abaixo, por entre imagens de António Costa (atual primeiro-ministro) e Pedro Passos Coelho (anterior primeiro-ministro), ironiza-se: "80 mil! A culpa é do Passos".

No Relatório da Emigração referente a 2019, disponível no Portal das Comunidades do Ministério dos Negócios Estrangeiros, indica-se que, no que concerne aos valores de emigração registados nesse ano, ficou confirmada "a previsão de edições anteriores quanto à estabilização do volume da emigração portuguesa".

"Os valores provisórios do Observatório da Emigração estimam que em 2019 terão saído do nosso país cerca de 80 mil portugueses, número semelhante ao de 2018", especifica-se no documento.

Se analisarmos os números em pormenor, verificamos que os indicadores do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para 77.040 saídas em 2019, menos 4.714 do que as 81.754 registadas em 2018 (-5,7%).

Este valor vem confirmar uma tendência decrescente nos dados da emigração que se verifica desde 2015. Durante o período de governação de Pedro Passos Coelho, entre 21 de junho de 2011 e 26 de novembro de 2015, emigraram 586.331 portugueses no total. Contudo, mais de metade fê-lo de forma temporária, ou seja, por menos de um ano.

Desde 2016, o número total de portugueses que deixaram o país tem estado abaixo da fasquia dos 100 mil e tem vindo sempre a diminuir (97.151 em 2016; 81.051 em 2017; 81.754 em 2018; e 77.040 em 2019). Dados estatísticos recolhidos pelo Observatório da Emigração, centro de investigação do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.

De acordo com o Relatório da Emigração de 2019, a percentagem de cidadãos nacionais que deixaram Portugal com carácter permanente (superior a um ano) também continua a diminuir. Em 2019, do total de portugueses que saíram do país, apenas 37% o fizeram com carácter permanente, sendo, pela primeira vez desde 2011, menos de 30 mil pessoas.

O Reino Unido foi o país para onde emigraram mais portugueses em 2019 - cerca de 25 mil das 80 mil saídas -, seguindo-se Espanha e Suíça.

No entanto, sublinha-se no documento, todos estes dados são estatísticas e não existe uma obrigatoriedade de inscrição nos consulados, logo pode haver muitas pessoas que não foram contabilizadas como emigrantes.

"Não existem registos de fluxos no que respeita à saída de Portugal, uma vez que, em sociedades democráticas, se constitui enquanto direito fundamental dos cidadãos a possibilidade de sair do país sem obrigatoriedade de comunicação aos organismos estatais", esclarece-se.

Em conclusão, é verdade que em 2019 emigraram perto de 80.000 portugueses, de acordo com os dados inscritos no Relatório da Emigração.

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