"Temos de bater palmas aos atletas. Claramente tornou-se uma atividade de altíssimo risco, 'pós-salvação injetada'. Estes é que merecem palmas à janela, porque provam com a vida o genocídio em curso. Mais dois tordos caídos", comenta-se numa das publicações em causa, exibindo uma imagem da notícia (verdadeira) sobre a morte de dois participantes na edição deste ano da "Maratona dos Camaradas", na África do Sul.

Trata-se, portanto, de mais uma tentativa de associar mortes súbitas e de atletas à vacinação contra a Covid-19. Em primeiro lugar, a notícia em causa é verdadeira. As duas mortes (de corredores sul-africanos) foram confirmadas pela organização da "Maratona dos Camaradas". Através de um comunicado, a organização da prova informou que um dos homens morreu de ataque cardíaco, não sendo ainda conhecida a causa da morte do segundo indivíduo.

De acordo com a informação disponível na página oficial, esta prova tem a classificação de ultra-maratona, com um percurso de aproximadamente 90 quilómetros. É realizada anualmente na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, entre as cidades de Durban e Pietermaritzburg. Trata-se de uma das maiores provas deste género no mundo. De acordo com o portal "World's Marathons", os corredores com mais de 20 anos qualificam-se para a prova quando completarem uma maratona (42,2 quilómetros) reconhecida oficialmente em menos de cinco horas.

Na mesma fonte indica-se que a prova é limitada à participação de 23 mil corredores, originários de dezenas de países. Além disso, em todas as corridas (exceto três desde 1988), mais de 10 mil corredores chegaram ao final do percurso dentro das 11 ou 12 horas permitidas para a realização da prova.

Ora, de acordo com um artigo publicado no "South African Medical Journal", em 2007, a propósito da morte de dois participantes na edição desse ano, já se contabilizavam sete mortes idênticas desde a existência da ultra-maratona sul-africana. "A morte da dupla finalista reavivou os debates médicos sobre a triagem seletiva pré-corrida e a melhoria do acesso ao tratamento de emergência perto dos participantes", lê-se no artigo mencionado.

É ainda descrito o caso clínico de uma das vítimas, Michael Gordan, de 34 anos, que estava a participar pela primeira vez na prova e que tinha um histórico familiar de morte precoce devido a problemas cardíacos, sugerindo-se a pré-existência de cardiomiopatia hipertrófica. "Um em cada três atletas com menos de 35 anos que morre repentina e inesperadamente durante exercício extenuante nos EUA sofre desta condição", informa-se no estudo.

Além das duas mortes registadas na edição de 2022 da "Maratona dos Camaradas", também foram internados outros 74 participantes, a maioria devido a desidratação.

Em suma, existe um historial de mortes relacionadas com problemas cardíacos na ultra-maratona disputada na África do Sul, assim como em provas similares. A relação entre estas ocorrências e a vacinação contra a Covid-19 não tem fundamento.

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