O momento histórico em que o presidente dos Estados Unidos entrou pela primeira vez em território norte-coreano acabou por ficar marcado por uma declaração proferida por Donald Trump, já na conferência de imprensa em Seoul, capital da Coreia do Sul, em que afirma que a administração de Barack Obama “implorou por um encontro” com Kim Jong Un.

“O Presidente Obama queria um encontro, e o líder Kim não aceitou encontrar-se com ele. A administração Obama implorava por uma reunião. Estava a implorar por reuniões constantemente e o líder Kim não aceitou encontrar-se com ele”, afirmou Donald Trump.

O próprio Barack Obama, também em 2015, afirmou num discurso que “o regime da Coreia do Norte tem de saber que só alcançará a segurança e a prosperidade quando cumprir as suas obrigações internacionais”.

Esta afirmação do presidente norte-americano não tem fundamento factual. A relação entre a administração Obama e a Coreia do Norte sempre foi tensa, por várias vezes foram aplicadas sanções a Pyongyang devido à recusa de Kim Jong Un em acabar com os testes de armamento nuclear. “Os Estados Unidos não se envolvem em conversas só pela conversa”, disse Glyn Davies, o representante das políticas para a Coreia do Norte, numa declaração ao Senado, a 7 de março de 2013, citado pela plataforma de fact checking Politifact.

“Os Estados Unidos não aceitam a Coreia do Norte como um estado com armamento militar (...) nem toleramos que a Coreia do Norte provoque os seus vizinhos. Estas posições não vão mudar”, pode ainda ler-se no testemunho.

James R. Clapper Jr., o diretor da agência nacional de inteligência afirmou, em entrevista à CNN, desconhecer onde Trump foi buscar as informações para fazer tal afirmação. “Em todas as deliberações em que participei sobre a Coreia do Norte durante a administração Obama, não me recordo de nenhum momento onde o Presidente Obama tenha indicado qualquer interesse, de todo, em reunir com o líder Kim.”

O próprio Barack Obama, também em 2015, afirmou num discurso que “o regime da Coreia do Norte tem de saber que só alcançará a segurança e a prosperidade quando cumprir as suas obrigações internacionais”.

Desde 2008 que a Coreia do Norte e os Estados Unidos estavam com relações cortadas e sem espaço para diálogo. Apesar de em 2011 ter existido uma tentativa por parte dos negociadores da Coreia do Norte para retomar as conversações, o acordo não chegou a ser firmado. Pyongyang colocou em cima da mesa a hipótese de adiar os testes nucleares, os lançamentos de mísseis de longo alcance e toda a atividade nuclear. No entanto o anúncio do lançamento de um satélite em 2012 foi, para os EUA, o fim das negociações para retomar o diálogo.

Também Frank Jannuzi, presidente da Fundação Mansfield e especialista nas relações EUA-Coreia do Norte, garantiu ao PolitiFact que Obama nunca, “pediu, muito menos implorou, por um encontro com Kim Jong Un”. “De facto, ele assumiu uma abordagem de indiferença que ficou conhecida como uma estratégia de paciência”, acrescentou.

Desde que Trump deu a conferência de Imprensa, no passado dia 30 de junho, vários especialistas em relações entre os EUA e a Coreia do Norte pronunciaram-se sobre o assunto garantindo que Obama nunca “implorou” por encontros com Kim Jong Un.  James R. Clapper Jr., o diretor da agência nacional de inteligência afirmou, em entrevista à CNN, desconhecer onde Trump foi buscar as informações para fazer tal afirmação. “Em todas as deliberações em que participei sobre a Coreia do Norte durante a administração Obama, não me recordo de nenhum momento onde o Presidente Obama tenha indicado qualquer interesse, de todo, em reunir com o líder Kim”, explicou.

“A única coisa diferente desta vez – não é o levantamento das sanções; já tínhamos feito isso antes – é este ‘bromance’, este esforço para tentar realmente ganhar a confiança de Kim Jong Un", afirma o norte-coreano Victor Cha, diretor dos Negócios Asiáticos no Conselho Nacional de Segurança durante a presidência de George W. Bush.

Também Frank Jannuzi, presidente da Fundação Mansfield e especialista nas relações EUA-Coreia do Norte, garantiu ao PolitiFact que Obama nunca, “pediu, muito menos implorou, por um encontro com Kim Jong Un”. “De facto, ele assumiu uma abordagem de indiferença que ficou conhecida como uma estratégia de paciência”, acrescentou.

O norte-coreano Victor Cha, diretor dos Negócios Asiáticos no Conselho Nacional de Segurança durante a presidência de George W. Bush, considera que a relação que existe atualmente entre os dois governos é diferente da que existia na época de Obama por causa do “bromance” – termo inglês composto pelas palavras “bro”, de “brother”, que significa “irmão” e “romance”, em português, “romance”, e que resume uma irmandade entre dois homens – entre Kim Jong Un e Donald Trump.

“A única coisa diferente desta vez – não é o levantamento das sanções; já tínhamos feito isso antes – é este ‘bromance’, este esforço para tentar realmente ganhar a confiança de Kim Jong Un. Ditadores geralmente não confiam em ninguém”, disse ao canal norte-americano MSNBC. De facto, nas mesmas declarações, Trump assumiu que tinha existido “uma certa química ou algo do género” entre os dois líderes.

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