O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa gasta dois terços do orçamento em salários e tem dirigentes que ganham até 6 mil euros?

Política
O que está em causa?
Numa publicação no Facebook destaca-se que dois terços do orçamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa destina-se a pagar salários, nomedamente de mais de 500 dirigentes que ganham até 6 mil euros. Verificação de factos.
© Agência Lusa / Carlos M. Almeida

Dois terços do orçamento para 2024 da demitida socialista Ana Jorge para a Santa Casa, era para ordenados, com 523 dirigentes com vencimentos até 6 mil euros”, realça-se em publicação feita no Facebook, poucos dias depois de ter sido noticiada a exoneração da provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Ana Jorge, e de terem sido conhecidos mais detalhes sobre o estado financeiro da instituição.

Este post suscitou dúvidas e pedidos de verificação de factos.

De facto, no Plano de Atividades e Orçamento para 2024 da SCML, a então provedora Ana Jorge apontou para um défice de tesouraria estimado, no final de 2023, em cerca de 25 milhões de euros, a par de “uma necessidade de reforço de 55 a 65 milhões para satisfazer compromissos inadiáveis, nomeadamente despesas com pessoal“.

Essas despesas com pessoal em 2023 – que aumentaram de 147,6 milhões de euros em 2022 para 151 milhões de euros no último ano – representaram “63% das receitas totais” de 241 milhões de euros em 2022. Para 2023, o valor de receitas correntes foi estimado 286 milhões de euros.

Ana Jorge indicou ainda que o volume de despesa devia-se “a uma estrutura de grande dimensão, excessivos níveis hierárquicos e inúmeros cargos de chefia” que, acrescenta, “limitam fortemente os recursos a afetar a atividades de missão estatutária”.

Mais à frente no documento, a provedora advertiu que “os gastos com pessoal continuam a representar uma parte muito significativa dos gastos totais, cerca de 60%“.

De um total de 6.074 trabalhadores da SCML, número que se manteve igual de 2023 para 2024, 488 desempenhavam cargos de chefia (279 dirigentes, 107 diretores de estabelecimento e 102 de chefia direta).

De acordo com uma notícia do portal “Sapo“, esse número de dirigentes era de 523 em março de 2024, se se somassem as comissões de serviço, e os salários brutos mensais variavam entre os 2.322,97 euros e os 6.083,97 euros.

Em suma, se tivermos em conta as receitas totais de 2022 (uma vez que o valor de 2023 resulta ainda de uma mera estimativa) e avaliarmos os gastos com pessoal de 2022 ou de 2023, de 147,2 milhões e 151 milhões de euros, confirma-se que a SCML gastou quase dois terços do orçamento (61% e 63%, respetivamente). No entanto, se fizermos a comparação entre o valor estimado de receitas totais para 2023 e os gastos com pessoal de 2023, equivale a cerca de metade do orçamento (52%).

________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque