Na página "Lusopt" foi ontem publicada uma suposta notícia dando conta de que dois motoristas em greve foram detidos pela Guarda Nacional Republicana (GNR) por se recusarem a trabalhar. "Nunca antes visto, só no tempo da ditadura e da PIDE. Motoristas detidos pela GNR por se recusarem a trabalhar", destaca-se no título da publicação.

"Informação foi divulgada por Pardal Henriques a vários meios de comunicação. Dois motoristas foram, esta quarta-feira, alegadamente detidos pela GNR em casa, por se recusarem a trabalhar. Um deles terá sido detido na própria casa", indica-se no respetivo texto. "Pelo menos dois motoristas foram detidos pela GNR em casa, esta tarde, por se recusarem a trabalhar, informou o porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques".

"O advogado do SNMMP garantiu que os dois trabalhadores terão 'sido detidos', um deles em casa, e coagidos para trabalharem. As autoridades foram buscar um dos detidos em casa, com um documento de uma advogada para se apresentar no local de trabalho, alegando requisição civil. O outro detido estaria num piquete de greve, também com um documento legal", acrescenta-se, repetindo várias vezes a mesma informação.

Vários utilizadores da rede social Facebook denunciaram este conteúdo como fake news. Confirma-se? Verificação de factos.

Ora, a publicação em causa remete para uma notícia da TVI24 que começou por informar que dois motoristas teriam sido detidos pela GNR, de facto, mas logo a seguir foi atualizada, desmentindo essa informação inicial.

"A GNR esclareceu esta quarta-feira que nenhum motorista em greve está detido e que quatro trabalhadores apresentaram-se 'voluntariamente' para cumprir o serviço, depois de terem sido notificados de que não comparecerem no local de trabalho constituía crime de desobediência", esclarece-se na notícia atualizada.

"'A Guarda Nacional Republicana vem esclarecer que foram quatro trabalhadores notificados de que a sua não comparência no local de trabalho constituía a prática do crime de desobediência', lê-se num comunicado da GNR. Na nota, a GNR adianta também que, depois desta notificação, os quatro trabalhadores 'decidiram voluntariamente cumprir o serviço para o qual estavam nomeados'. Assim, é ainda acrescentado, não se encontra nenhum trabalhador detido", prossegue.

"Cerca de uma hora antes de ter sido emitido este comunicado, o porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, disse que, pelo menos, dois motoristas tinham sido detidos pela GNR em casa, esta tarde, por se recusarem a trabalhar. 'Estes senhores estão a ser notificados em casa. Estão a ser detidos em casa deles e são obrigados a vir até à empresa, forçados, para trabalhar', referiu Pardal Henriques aos jornalistas, na estrada nacional 366, em Aveiras de Cima. De acordo com o porta-voz do SNMMP, as empresas enviaram uma notificação para a Procuradoria-Geral da República e para o Ministério Público, para forçar os motoristas a cumprir com os serviços", informou a TVI24.

Em suma, a publicação em análise não atualizou o respetivo conteúdo e está a difundir uma falsidade que reproduz desinformação.

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Nota editorial: este conteúdo  foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam naquela rede social.

Na escala de avaliação do Facebook este conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "falso" ou "maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo este conteúdo é:

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