“Para salvar a Europa de Putin, devemos continuar a comprar petróleo russo. Porque, se não o fizermos, Putin vendê-lo-à noutro lugar e lucrará mais com preços mais altos. Então é melhor comprarmos petróleo russo e impedi-lo de lucrar.” São estas as declarações que estão a ser atribuídas à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, nas redes sociais.

As várias publicações do Twitter e do Facebook em que se difunde esta mensagem incluem um vídeo de uma entrevista de Von der Leyen à estação televisiva MSNBC. Segundo os autores dos posts, terá sido durante essa entrevista que a presidente da Comissão Europeia apoiou a compra de petróleo russo.

Será verdade?

No entanto, basta ouvir o vídeo atentamente para concluir que essa posição não foi defendida por Von der Leyen. Questionada pela jornalista sobre se um embargo total às importações de combustíveis fósseis russos seria um "erro estratégico", a presidente da Comissão Europeia respondeu ser necessário “encontrar o equilíbrio certo” de modo a “não prejudicar a economia”.

De seguida, Von der Leyen defendeu que, se houvesse um veto total da União Europeia (UE) ao petróleo russo a partir daquele exato momento, Putin poderia “levar o petróleo que não vende à União Europeia para o mercado mundial, onde os preços aumentariam”. Assim, o presidente da Rússia venderia os combustíveis a um preço mais elevado “e isso encheria os seus cofres para a guerra.”

Por isso, argumentou Von der Leyen, “temos que ser muito estratégicos na maneira como abordamos este assunto”, acrescentando ser “muito importante convocar o resto do mundo para garantir que esgotamos o arsenal” da Rússia.

Em nenhum momento da entrevista a presidente da Comissão Europeia declarou apoiar a compra de petróleo russo para “salvar a Europa de Putin”. Von der Leyen apenas alertou para a dificuldade em fazer um corte abrupto das importações deste recurso.

Aliás, no final de maio, a líder da Comissão Europeia publicou um tweet a saudar o acordo aprovado no Conselho Europeu sobre o sexto pacote de sanções à Rússia que “reduzirá cerca de 90% das importações de petróleo da Rússia para a UE até ao final do ano”.

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