"Dívida pública atinge novo recorde absoluto", sobressai na imagem do post de 22 de agosto, com uma montagem gráfica em que António Costa (primeiro-ministro), Marcelo Rebelo de Sousa (Presidente da República) e Eduardo Ferro Rodrigues (Presidente da Assembleia da República) aparecem a tocar violino enquanto um navio se afunda.

"Enquanto dão música ao povo… O cenário da dívida pública é real, Portugal cada vez está mais endividado, pior que nunca, atingiu em junho novo recorde", critica-se no texto da publicação.

Confirma-se que a dívida pública de Portugal atingiu um "novo recorde absoluto" em junho de 2021?

De acordo com a mais recente "Nota de Informação Estatística - Dívida Pública" emitida pelo Banco de Portugal (BdP), referente a junho de 2021, "a dívida pública situou-se em 277,5 mil milhões de euros, um aumento de 2,7 mil milhões de euros face ao mês anterior. Para este aumento contribuíram essencialmente as emissões de títulos de dívida (2,2 mil milhões de euros)".

O BdP apresenta um gráfico com a evolução da dívida pública desde julho de 2016, confirmando-se que o valor absoluto registado em junho de 2021 é o mais elevado desde então, tendo superado pela primeira vez a fasquia de 270 mil milhões de euros em dezembro de 2020.

Na base de dados estatísticos do BdP encontramos os valores da dívida pública desde 1995 e verificamos que, de facto, atingiu um novo recorde absoluto em junho de 2021.

Importa contudo ter em atenção que, em junho de 2021, "o rácio da dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) situou-se em 132,8%, o que representa uma redução de 4,3 pp (pontos percentuais) face ao final do primeiro trimestre", segundo informou o BdP.

Neste âmbito, não se trata de um recorde absoluto, o qual foi registado no primeiro trimestre de 2021, com 137,2% do PIB. Mesmo durante o período de resgate financeiro da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), entre 2011 e 2014, o rácio da dívida pública em percentagem do PIB nunca foi tão elevado.

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