A imagem partilhada no Facebook tem como objetivo demonstrar todos os prazos de pagamento falhados pelo Sporting Clube de Portugal (SCP) relativos à transferência de Rúben Amorim, atual treinador do clube. Ao todo, de acordo com o quadro alegadamente difundido pela "TVI", a dívida dos sportinguistas ao Sporting Clube de Braga é superior a 19 milhões de euros.

É com base nessa informação que se faz a comparação entre o clube liderado por Frederico Varandas e o Vitória Futebol Clube (VFC): “O Vitória de Setúbal foi despromovido por uma dívida de 250 mil euros ao Estoril.” Na caixa de comentários, são muitos os utilizadores que demonstram indignação perante a alegada diferença de tratamento: “Os caloteiros não pagando, estão a impedir que o Sporting de Braga compre jogadores. Sem contemplações, o Braga deve apresentar queixa a todas as instâncias a que o assunto diga respeito.” 

”Agora o Vitória que faça barulho para que a balança incline para o mesmo lado”, reivindica-se, por outro lado. 

Sporting dívidas

Mas será que o Sporting CP também deveria ter sido despromovido, como aconteceu com o Vitória de Setúbal e o Clube Desportivo das Aves?

Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial da Liga Portugal garantiu que a comparação “não tem nenhum sentido” e remeteu as decisões tomadas para o Manual de Licenciamento das Competições para a época desportiva 2020-21. No caso dos sadinos, num comunicado oficial da 29 de julho, a Liga explicou que o clube violou o ponto 8, 9 e 12 dos critérios financeiros.

Fonte oficial da Liga Portugal garantiu ao Polígrafo que a comparação “não tem nenhum sentido” e remeteu as decisões tomadas para o Manual de Licenciamento das Competições para a época desportiva 2020-21.

O ponto 9 é relativo a dívidas a jogadores treinadores e funcionários e o ponto 12 tem a ver com a situação contributiva perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social. O ponto 8 é o único que podia ser usado nesta comparação entre os lisboetas e os sadinos. “Relativamente a transferências definitivas ou temporárias de jogadores operadas desde 01 de julho de 2016 até ao dia 31 de dezembro do ano precedente, a Sociedade Desportiva CANDIDATA deve demonstrar que não tem dívidas vencidas até 31 de março do ano em que apresenta a candidatura para com as Sociedades Desportivas participantes nas competições organizadas pela Liga Portugal”, lê-se na regulamentação. Mais abaixo, explica-se que “são consideradas para o efeito do presente pressuposto as dívidas resultantes das transferências definitivas ou temporárias, incluindo a compensação por formação e a 20 contribuição de solidariedade devidas”, assim como “eventuais montantes previstos sob condição”.

Manual de Licenciamento Liga

Assim sendo, há dois motivos que invalidam que se possam estabelecer ligações entre a situação vivida pelo SCP e os problemas do VFC. O primeiro é que o ponto 8 do regulamento só se aplica a transferências de jogadores e não de treinadores, como é o caso de Rúben Amorim. O outro motivo está relacionado com datas: no manual, diz-se que as transferências em causa têm que se enquadrar no período entre 1 de julho de 2016 e 31 de dezembro de 2019. A mudança de Rúben Amorim foi oficializada pelo Sporting, em comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), no dia 5 de março de 2020, mais de três meses depois do final do prazo.

Ao Polígrafo, fonte oficial do organismo que gere o futebol profissional português revela que o regulamento vai passar a abranger “dívidas por jogadores e treinadores para o ano". 

A Liga Portugal explica também que, “no caso do Vitória, foi feita uma denúncia por uma sociedade desportiva”, sem esclarecer se foi realmente o Grupo Desportivo Estoril Praia.

Ao Polígrafo, fonte oficial do organismo que gere o futebol profissional português revela que o regulamento vai passar a abranger “dívidas por jogadores e treinadores para o ano". 

Em relação aos avenses, o clube não cumpriu 13 dos 15 pontos dos critérios financeiros, nem três dos pontos legais, incluindo o da transparência.

Em suma, o Sporting CP nunca poderia ter o licenciamento para as competições profissionais rejeitado pela Liga, como aconteceu com o Vitória Futebol Clube e Clube Desportivo das Aves, pois a sua dívida não infringe a regulamentação em vigor. 

________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Parcialmente falso: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network