“Da série: Fugiu-lhe a boca para a verdade! Mensagem da OMS para ouvir com muita atenção!”, lê-se no início da publicação no Facebook, partilhada no dia 23 de dezembro. O post inclui a hashtag “A liberdade não é certificada” e um link para uma manifestação anti vacinas que deverá decorrer em janeiro.

No vídeo anexado é possível ver o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa.

No início do excerto, Ghebreyesus realça a importância de dar prioridade os grupos etários mais velhos, no que diz respeito à vacinação contra o novo coronavírus. No entanto, o que está a suscitar polémica é o que o diretor da OMS alegadamente diz a seguir. Os utilizadores das redes sociais garantem que o responsável afirma que “alguns países estão a usar as vacinas para matar crianças”. De modo a captar à atenção, esta afirmação surge repetida durante vários segundos.

Mas foi mesmo isto que o diretor-geral da OMS disse?

A Organização Mundial da Saúde garante à BBC que não. As imagens em análise pertencem a uma conferência de imprensa de 20 de dezembro, no qual Ghebreyesus fala, efetivamente, das vacinas de reforço. É defendido que a vacinação de membros de grupos de saúde vulneráveis em países em desenvolvimento deveria ter prioridade sobre a vacinação de crianças em países mais ricos.

“É melhor concentrar-se nos grupos [vulneráveis] que têm o risco de doença grave e morte, em vez de, como vemos, alguns países estarem a utilizar para dar reforços às crianças, o que não é correto”, afirma. O diretor-geral da OMS “tropeçou” na palavra “crianças” (children, em inglês) e pronunciou, acidentalmente, a primeira sílaba com um som “quil” (kill, em inglês), isto é, leu o “c” como “k”. No entanto, corrigiu-se imediatamente.

Fonte oficial da OMS disse à BBC: “Ele repetiu a mesma sílaba, disse 'cil-children'. Qualquer outra interpretação disto é 100% incorreta”. Na transcrição da conferência, disponível no site da OMS, na marca dos 26 minutos e 44 minutos, está escrito o que Ghebreyesus disse no momento do vídeo partilhado. A plataforma de fact-checking Snopes também já desmentiu uma publicação semelhante.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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