"Combate-se um vírus com 0,01% de mortalidade, com uma vacina que pode terminar com a Humanidade", comenta-se numa das publicações com uma imagem do suposto artigo do "diretor de pesquisa da Pfizer", escrito em língua inglesa, alertando que "a vacina da Covid-19 é esterilização feminina".

Esta alegação tem algum fundamento?

Importa começar por salientar que não há qualquer hiperligação para o artigo em causa, nem indicação do nome do respetivo autor, ou sequer da revista científica ou órgão de comunicação social em que terá sido publicado.

O atual "diretor de pesquisa da Pfizer" dá pelo nome de Mikael Dolsten e não encontramos qualquer registo público de que tenha escrito tal artigo ou expressado a ideia de que a vacina contra a Covid-19 provoca esterilização feminina.

De resto, tal como o Polígrafo já verificou anteriormente, essa alegação não tem fundamento.

Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, garante que "é uma ficção sem qualquer fundamento ou validade científica" e que "não há relação de vacinas de RNA com esterilidade, da mesma forma que esta não é uma consequência observada para a Covid-19".

Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular, garante que "é uma ficção sem qualquer fundamento ou validade científica" e que "não há relação de vacinas de RNA com esterilidade, da mesma forma que esta não é uma consequência observada para a Covid-19".

Em declarações ao Polígrafo, Miguel Castanho esclarece que "o código genético humano é constituído por DNA e não RNA" e que "as células humanas não convertem RNA em DNA, pelo que é impossível ao RNA reescrever o código genético".

As vacinas de base RNA são desenvolvidas através de uma técnica que consiste em inserir uma parte dos genes de um determinado patógeno em plasmídeos, moléculas de ácido ribonucleico presentes nas bactérias. Estes plasmídeos são injetados no corpo humano e entram nas células, onde reproduzem partes do agente causador da doença - neste caso, o novo coronavírus - para obter uma resposta imunológica do organismo. Ou seja, o código genético que é modificado é o de uma molécula de uma bactéria e não o de um ser humano.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Assina a Pinóquio

Fica a par de todos os fact-checks com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Recebe os nossos alertas

Subscreve as notificações do Polígrafo e recebe todos os nossos fact-checks no momento!

Em nome da verdade

Segue o Polígrafo nas redes sociais. Pesquisa #jornalpoligrafo para encontrares as nossas publicações.
Falso
International Fact-Checking Network