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Diogo Pacheco de Amorim afirmou que o 25 de Abril caiu “nas mãos erradas” e caminhava para um “regime totalitário”?

Política
O que está em causa?
Alegadas declarações recentes do deputado do Chega têm vindo a circular nas redes sociais, numa altura em que se comemoram as conquistas da Revolução dos Cravos. Mas Diogo Pacheco de Amorim, segundo mostra um vídeo partilhado no Facebook, terá afirmado que o país tinha “saído de um Governo autoritário para correr o risco de passar a um regime totalitário”. Confirma-se?

“Lembro-me de muitas coisas. Lembro-me de um entusiasmo inicial e lembro-me de, duas ou três horas depois, perceber que o 25 de Abril tinha caído nas mãos erradas”: eis declarações que terão sido proferidas por Diogo Pacheco de Amorim, deputado do Chega, numa entrevista concedida recentemente, durante a qual foi questionado sobre as memórias que tinha do dia da Revolução dos Cravos.

E elaborou o seu raciocínio: “Ou seja, tínhamos saído de um Governo autoritário para correr o risco de passar a um regime totalitário, o que é, como é evidente, muito mais grave. Nenhum deles é brilhante, mas um regime totalitário é infinitamente mais perigoso para a liberdade do que um regime autoritário.”

https://www.facebook.com/naosilenciamos/videos/708205101527973/

Confirma-se que estas declarações foram mesmo proferidas por Diogo Pacheco de Amorim?

Sim. A entrevista na íntegra foi partilhada no “site” do jornal local “Diário de Santo Tirso”, a propósito da apresentação do livro “Abril Pelas Direitas”, de Rodrigo Pereira Coutinho, a 4 de abril. Sobre o tema, e antes de proferir as afirmações citadas acima, referiu: 

Este livro é uma coletânea de experiências várias e de várias formas de pensar e de encarar o 25 de Abril. Normalmente temos, ou temos tido, nos últimos 50 anos, uma visão muito unilateral e falsa do que foi o 25 de Abril. Uma visão muito puxada à esquerda e, portanto, este livro é um contributo para recentrar aquilo que foi o 25 de Abril. O 25 de Abril está mitificado pela esquerda, é uma narrativa que não corresponde àquilo que, de facto, foi o 25 de Abril. E isto é uma forma de contrapor uma narrativa que está muito mais perto da realidade e muito mais perto do que de facto aconteceu do que aquela que tem sido corrente até hoje.

Depois, voltou a reforçar a ideia de que a revolução “tinha caído nas mãos erradas”, o que, concluiu, acabou por ter consequências no seu posicionamento político: “Como é evidente, passei da revolução para a contra-revolução de imediato. E a minha história a seguir tem sido a história de uma contra-revolução.”

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Avaliação do Polígrafo:

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