A ex-presidente do Brasil (entre 2011 e 2016), esteve de viagem na Europa. Em Liverpool, Inglaterra, tirou uma fotografia junto do conhecido pub “The Cavern Club”. Ao lado de Dilma, está a estátua de homenagem a John Lennon, à qual a política copiou a pose. O retrato é muito familiar aos milhares de pessoas que todos os anos visitam aquele lugar de culto também para os fãs da banda britânica The Beatles. Tudo certo, menos a legenda da foto, alegadamente escrita pela brasileira: “Me senti pertinha do Elvis!!!”

Já se sabe, no melhor pano cai a nódoa, e este já não está assim tão limpo. Por isso, não demorou muito até que a aparente ignorância da também economista passasse a ser alvo de gozo. A imagem, originalmente postada no Instagram, foi republicada, sobretudo no Facebook. Sucedem-se os comentários: “O Cavern Club, fica em Liverpool, onde Elvis nunca pôs os pés. A estátua é de John Lennon. É realmente uma débil mental.”, ou “A anta corrupta conseguiu confundir o John Lennon com Elvis, Inglaterra com EUA e cometeu só mais um erro de português”.  O ódio destilado é tanto que, em apenas uma publicação, a suposta gafe já tem mais de 3 mil partilhas, outra cereja no topo do bolo para os opositores não só de Dilma, mas do Partido dos Trabalhadores.

Ora, a verdade é que os factos não são exatamente assim. O jornal de verificação de notícias “Aos Fatos” revela que a legenda a acompanhar a fotografia que tem sido republicada nas redes sociais resulta de uma manipulação.

O Polígrafo foi consultar o Instagram da antiga presidente do Brasil. É verdade: a fotografia ao lado da estátua de John Lennon foi publicada por Dilma, no dia 14 de julho de 2018. Tem mais de 100 mil gostos, os comentários já ultrapassam os 6 mil e são, sobretudo, positivos e elogiosos. Verdade também é que a legenda original não é a que corre o Facebook. No Instagram pessoal, Dilma Rousseff escreveu: “Hoje é dia de rock, bebê. #johnlennon #cavernclub #liverpool”. Um segundo olhar sobre o caso, desvenda também que a imagem republicada não foi extraída da conta oficial, pois não tem o símbolo de verificação atribuído pelo Instagram às figuras públicas.

Afinal de contas, este não é novo um episódio de ignorância nem uma trapalhada monumental por parte do PT. Ainda assim, a fotografia com a legenda manipulada tem sido insistentemente difundida em grupos de apoio a Jair Bolsonaro, por exemplo, o “Movimento Liberta Brasil”, com mais de 130 mil seguidores no Facebook e que se autointitula como “um movimento de direita cristão conservador”. É fácil perceber que esta manipulação é apenas mais uma arma de arremesso político, um grito de desespero de uma oposição pouco instruída, quando parecem faltar argumentos válidos e factos verdadeiros.

O “Aos Fatos” garante que a publicação enganosa surgiu nas redes sociais logo em julho de 2018. Quase um ano depois, voltou a ganhar força. Ao mesmo órgão de comunicação social, a assessoria de Dilma Rousseff lamenta “a perseguição com a ex-presidente”.

Avaliação do Polígrafo:

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Pimenta na Língua