“Se for, alguma vez, forçado por um ladrão a retirar dinheiro da caixa de Multibanco, pode avisar a polícia imediatamente, digitando a sua senha ao contrário”, lê-se numa imagem que foi enviada ao Polígrafo para verificação de factos. 

Em causa está um estratagema que permite ao indivíduo alvo de furto alertar imediatamente as autoridades para o incidente – ainda durante a ocorrência do mesmo. Mas como funciona? “Por exemplo, se a sua senha for 1234”, então deve digitar “4321”, explica-se.

Digitar o código do cartão de crédito invertido no Multibanco alerta autoridades em caso de assalto?

Segundo a argumentação, a polícia seria avisada pelo facto de a “máquina” – neste caso, a caixa automática – ter a capacidade de reconhecer que a “senha está invertida”. E apesar de, ainda assim, retirar da conta o dinheiro exigido, neste caso, pelo assaltante, “para desconhecimento” deste, a polícia seria “imediatamente acionada” para ajudar o lesado.

Apesar das alegadas vantagens associadas a esta funcionalidade das caixas automáticas, a imagem enviada ao Polígrafo sustenta que a mesma é usada apenas “raramente”, já que “as pessoas não sabem da existência deste mecanismo de defesa”. E apela, por isso, ao leitor para que partilhe esta “informação extremamente útil e necessária” como “todos” os seus contactos – levando a crer que esteja a ser amplamente disseminada em aplicações de envio de mensagens. Mas será esta técnica fiável?

O tema já tinha sido alvo de análise por parte da equipa do Polígrafo em 2021. Na altura, a Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS) garantiu que as informações eram “falsas” – uma realidade que, segundo a mesma fonte, não sofreu quaisquer alterações nestes últimos anos.

Em resposta ao Polígrafo, esta entidade explicou que “a referida técnica, de introdução do PIN 'invertido', não funciona na Rede de Caixas Automáticos Multibanco". E assegurou, ainda, não ter “informação sobre a implementação desta técnica em qualquer país europeu ou de qualquer outro continente".

A SIBS recordou ainda a importância de se cumprir algumas “boas regras de gestão do código secreto do cartão” na rede Multibanco. Primeiro que tudo, nunca “divulgar o PIN”, que é “pessoal e intransmissível” e deverá ser sempre “memorizado” pelo utilizador. Ou seja, escrever o PIN “no próprio cartão” ou em algum “documento que tenha junto” do mesmo também não se configuram como boas práticas.

No momento em que receber esse código, deve optar por memorizá-lo imediatamente e destruir o “o envelope de informação do mesmo” — ou, pelo menos, não o deixar “em lugar visível e/ ou facilmente acessível”. 

Finalmente, caso tenha a necessidade de alterar o seu PIN, não deve optar por “conjugações de 4 dígitos de fácil apropriação”, como é o caso do “ano de nascimento” ou do “dia e mês de aniversário”, recorda a SIBS.

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Avaliação do Polígrafo:

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