A questão foi enviada ao Polígrafo para verificação, por uma leitora que diz ter sido, recentemente, “bombardeada com afirmações de que os camiões de reciclagem juntam os diferentestipos de lixo “quando chegam ao destino”.

Citando um trabalho efetuado no passado pela redação do Polígrafo – que desmentiu “a afirmação de que o lixo reciclável seja misturado no camião” – apontou ter algumas dúvidas sobre a forma como se processa a reciclagem “após a recolha do lixo nos contentores”.

É verdade que os diferentes tipos de lixo reciclável são misturados no momento em que chegam às centrais de tratamento destes resíduos?

Ao Polígrafo, fonte oficial da Sociedade Ponto Verde começou por garantir que a “ideia de que o camião do lixo junta todos os resíduos quando chega ao destino, sem ter em atenção a sua devida separação”, não passa de um “mito”.

Na verdade, na “grande maioria das vezes”, a “recolha é feita de forma dedicada” – ou seja, destinada a “uma cor de contentor em cada circuito de recolha”. Depois disso, “os resíduos são processados em instalações de triagem de materiais (municipais ou outras)”, originando “lotes que podem depois ser encaminhados para reciclagem”.

Acontece ainda que, nesse tipo de instalações, “o fluxo amarelo e o fluxo azul são processados separadamente”, enquanto o “produto da recolha seletiva do vidro é, por seu turno, armazenado em locais distintos”. Isto de modo a “poder ser”, depois, “recolhido pela indústria vidreira, que o vai reciclar e utilizar na produção de novas embalagens”.

Ainda assim, podem “verificar-se outras duas situações” que não devem ser descuradas no âmbito desta questão. Uma delas passa pelo recurso, no decorrer deste processo, a “camiões que têm no seu interior compartimentos distintos onde são colocados os respetivos materiais dos ecopontos azul e amarelo” – ainda que o verde seja “sempre recolhido de forma isolada”. Nestes casos “menos frequentes”, segundo a Sociedade Ponto Verde, “podem ser recolhidos, no mesmo dia, dois materiais no mesmo circuito”.

Por outro lado, e apenas “pontualmente, se os recicláveis estiverem contaminados” ou “sujos”, graças a uma “separação indevida por parte dos cidadãos”, pode dar-se o caso de a “entidade municipal que assegura a recolha, sinalizar os contentores em causa, para que sejam recolhidos conjuntamente com os resíduos indiferenciados”. Isto para que “estes contentores que são já inviáveis para reciclar, não contaminem outros resíduos corretamente separados, que já se encontram no interior dos camiões”.

A existência destes mitos sobre o processo de reciclagem tinha já levado várias entidades, como a própria Sociedade Ponto Verde, a desenvolver campanhas para esclarecer, por exemplo, que os diferentes materiais não são misturados dentro do camião de recolha. O mesmo foi feito há vários anos pela Resinorte, empresa de triagem, recolha, valorização e tratamento de resíduos urbanos do Norte Central, através de um vídeo informativo que desmente essa tese.

A narrativa aqui analisada pelo Polígrafo é ligeiramente diferente, mas igualmente sem fundamento, pelo que lhe atribuímos o carimbo de “Falso”.

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Avaliação do Polígrafo:

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