"Portugueses de primeira e de segunda. Em 2017, o salário médio pago no setor público era de 1.460 euros. No mesmo ano, o salário médio pago no setor privado era de 913 euros", começa por se alegar em publicação no Facebook de 6 de março de 2022.

"Em 2017, a diferença do ordenado médio entre o público e o privado era de 547 euros. Após cinco anos a diferença entre os salários médios pouco alterou", conclui-se.

Os valores apresentados estão corretos?

No final de 2017, de acordo com a Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP) relativa ao 4.º trimestre de 2017, elaborada pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), o salário médio no setor público era de 1.460 euros, tal como indica a publicação sob análise.

"Em outubro de 2017, o valor da remuneração base média mensal dos trabalhadores a tempo completo no setor das administrações públicas situava-se em cerca de 1.460,8 euros, correspondendo a uma variação global média de 0,1% em relação ao mês de referência do trimestre precedente (julho) e a uma variação homóloga de 0,7%", informa-se no documento. Quanto ao salário médio no setor privado, no final de 2017, cifrava-se em 913 euros.

  • Salário base de 2.700 euros custa à empresa 3.368 euros mas trabalhador leva para casa apenas 1.700 euros?

    O "post" não é de agora mas já foi partilhado mais de 13 mil vezes no Facebook. O autor é Pedro Tânger, um conhecido empresário que decidiu explicar o porquê de ser "tão difícil pagar 2.700 euros" aos trabalhadores. Entre contribuições, taxas e impostos, sobra desse salário bruto um total de 1.700 euros para o funcionário no final de cada mês, sendo que a empresa tem que pagar cerca de 3.400 euros. Será mesmo assim?

Avançando para os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), no setor público "a remuneração brutal mensal média por trabalhador aumentou 3,4% em 2021, em termos nominais, face ao ano anterior, para os 1.361 euros". No setor privado, "a componente regular aumentou 3,2%, passando de 977 euros para 1.008 euros".

"As diferenças nos níveis remuneratórios médios entre o setor das Administrações Públicas (AP) e o setor privado refletem, entre outras, diferenças no tipo de trabalho realizado e nas qualificações dos trabalhadores que os integram. Com efeito, verifica-se que os trabalhadores do setor das AP têm, em média, níveis de escolaridade mais elevados: 54,3% dos trabalhadores neste setor tinham ensino superior (20,9% no setor privado), 25,5% tinham completado o ensino secundário ou pós-secundário (31,1% no setor privado) e 20,2% tinham um nível de escolaridade correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (48,0% no setor privado)", explica o INE.

Concluindo, o post apresenta dados corretos no que respeita a 2017, mas erra na alegação de que "a diferença entre os salários médios pouco alterou" nos anos seguintes. De acordo com os dados mais recentes, de 2021, a diferença do salário médio entre os setores público e privado baixou para 353 euros.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Parcialmente falso: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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