Nos meses que antecedem o inverno, os grupos de risco para o vírus da gripe já estão habituados a dirigirem-se aos centros de saúde para receber a vacina. A prática já se tornou regular, mas este ano a administração da dose de reforço contra a Covid-19 alterou um pouco o esquema. Leitores do Polígrafo questionaram qual a razão de não estarem a ser administradas vacinas contra a gripe a pessoas com diabetes nos centros de saúde. Fomos investigar.

Na norma 006/2021, referente à vacinação contra a gripe, a Direção-Geral de Saúde (DGS) explica que a primeira fase, iniciada a 27 de setembro, “destina-se à vacinação em determinados contextos, incluindo residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados, profissionais do SNS e grávidas”. Já a segunda fase, “integrará os outros grupos-alvo abrangidos pela vacinação gratuita, incluindo os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos”, pode ainda ler-se.

Segundo o mesmo documento, os doentes com diabetes estão incluídos nos grupos abrangidos pela vacinação gratuita, assim como outras condições médicas como doença cardiovascular, insuficiência renal, doença pulmonar crónica ou pessoas com imunodepressão. Ou seja, até aqui nada mudou.

No entanto, a vacina contra a gripe está atualmente a ser administrada em conjunto com a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 que, numa primeira fase, abrange “residentes e utentes em ERPI, instituições similares e RNCCI”, “pessoas com 80 ou mais anos de idade” e “pessoas com 65 ou mais anos de idade”.

Ao Polígrafo, José Manuel Boavida, médico endocrinologista e presidente da Associação Protetora de Diabéticos de Portugal (APDP), explica que os diabéticos continuam a estar abrangidos, mas a inoculação será realizada um pouco mais tarde, uma vez que as vacinas contra a gripe ainda não estão disponíveis nos centros de saúde. “Uma pessoa com diabetes tem direito à vacina da gripe só que, segundo a DGS, ainda não estão disponíveis as vacinas gratuitas nos centros de saúde. Estarão disponíveis brevemente e, aí, terá acesso à vacinação no centro de saúde gratuita como está prevista na norma da sobre a vacina da gripe”, esclarece.

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, admitiu, numa entrevista dada à SIC, no dia 7 de novembro, que existem atrasos na administração da vacina contra a gripe sazonal por não terem sido recebidas vacinas suficientes para a administração em massa.

“Uma vacina não empata a outra: uma pessoa pode ser convocada para a gripe, fazer a vacinação contra a gripe e depois fazer a outra".

Não é por ser em conjunto, é porque em outubro, por uma questão de fornecimento das firmas e de capacidade de entregarem vacinas, nós não tivemos vacinas em número suficiente para vacinar em massa. Portanto, escolhemos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) vacinar outra vez os mais vulneráveis: 80 ou mais anos de idade, todas as pessoas que estão em lares e estruturas semelhantes a lares”, explica, avançando que as doses de vacina, entretanto, já chegaram a Portugal.

Graça Freitas sublinhou ainda que uma pessoa que não seja elegível para receber as duas vacinas em simultâneo não tem de esperar por dezembro para receber a inoculação contra a gripe. “Uma vacina não empata a outra: uma pessoa pode ser convocada para a gripe, fazer a vacinação contra a gripe e depois fazer a outra.”

A APDP considera que a decisão de vacinar por idades é o “método mais transparente”, sublinhando que a faixa etária abrangida “integra mais de 30% dos diabéticos”. José Manuel Boavida ressalva que este atraso não “parece trazer grandes riscos” para a saúde dos pacientes com diabetes, uma vez que se estima que o surto de gripe só deverá acontecer no pico do inverno – entre janeiro e fevereiro –, o que dá tempo para os centros de saúde inocular aos grupos mais vulneráveis.

O Polígrafo contactou a DGS para mais esclarecimentos sobre esta situação mas, até ao momento da publicação deste artigo, não obteve resposta.

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Avaliação do Polígrafo:

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