A imagem não apresenta qualquer descrição, como se falasse por si. Destaca os lucros avultados de cinco empresas que operam em Portugal: a NOS (41 milhões de euros), um grupo de comunicações e entretenimento português; a Galp (155 milhões de euros), um grupo de empresas portuguesas do setor de energia; a Sonae (42 milhões de euros), multinacional que trabalha com retalho e telecomunicações; a Jerónimo Martins (88 milhões de euros), grupo empresarial de distribuição alimentar; e, finalmente, a The Navigator Company (50,6 milhões de euros) que fabrica e comercializa papel.

Somados, os lucros destas empresas no primeiro trimestre de 2022 cifram-se exatamente em 376,6 milhões de euros. O Polígrafo analisou cada um dos resultados, através de uma consulta aos relatórios trimestrais dos cinco grupos empresariais.

NOS: De acordo com o comunicado enviado pela empresa de telecomunicações à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os resultados líquidos da NOS (detida pela Sonae) aumentaram 34,6% no primeiro trimestre de 2022, para os 41,1 milhões de euros.

"O Resultado Líquido Consolidado aumentou em 34,6% para 41,1 milhões de euros, impulsionado por uma combinação de variações positivas e negativas", notou o grupo no documento. Entre elas, "um aumento do EBITDA [Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização], amortizações mais elevadas resultantes do aumento do investimento em redes e no espetro 5G, um nível mais baixo de custos de restruturação", em comparação com o primeiro trimestre de 2021, e ainda o "pagamento de juros devido a uma decisão judicial favorável".

Galp: O grupo do setor energético não ficou para trás e registou, no primeiro trimestre deste ano, lucros na ordem dos 155 milhões de euros. Segundo o comunicado da empresa visando esse mesmo período, estes resultados "refletem a melhoria das condições operacionais, que permitiram à empresa capturar com sucesso as condições macro mais fortes, nomeadamente nos segmentos Upstream e Industrial".

Comparativamente ao arranque de 2021, período em que a Galp registou lucros de 26 milhões de euros, o crescimento é astronómico: 496%. Já antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações, os lucros da empresa cresceram 74% para os 869 milhões de euros.

Sonae: Na Sonae, o resultado líquido atribuível a acionistas (lucros) totalizou os 42 milhões de euros. De acordo com a empresa, a "culpa" é do "forte desempenho operacional e à atividade de gestão do portefólio". Para Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, o crescimento do volume de negócios de 5% em termos homólogos, para 1,7 mil milhões de euros, e um aumento do EBITDA de 17% em termos homólogos, para 149 milhões de euros, refletem resultados "muito positivos".

"Estes resultados foram conseguidos num contexto muito desafiante, marcado pela invasão russa à Ucrânia. Apesar da Sonae não estar direta e materialmente exposta a estes países, os nossos negócios sentiram já os efeitos indiretos do conflito, nomeadamente através do aumento dos preços da energia, da inflação generalizada e dos constrangimentos nas cadeias de abastecimento, tendo conseguido ultrapassar estes desafios", destacou a CEO.

Jerónimo Martins: A empresa de distribuição alimentar, dona do Pingo Doce, também não esteve mal no primeiro trimestre de 2022. Os lucros de 88 milhões de euros representaram um crescimento de 52,4% face aos primeiros três meses de 2021, o que significa, para Pedro Soares dos Santos, Presidente do grupo, que "a perseverança das nossas equipas e a consistência do trabalho desenvolvido pelas nossas insígnias ao longo do tempo garantem a liderança em preço e qualidade".

"Estas são a grande força por detrás do sólido desempenho do grupo nos primeiros três meses do ano. Este trabalho, que reforçámos desde o início da pandemia, é agora ainda mais crítico num contexto de inflação crescente, agravado pela guerra na Ucrânia, que deteriorará o poder de compra dos consumidores em geral e, em especial, o dos grupos socioeconómicos mais desfavorecidos", disse em comunicado. "Dois meses volvidos desde o início da ofensiva militar, é para nós claro que a subida de preços dos produtos alimentares, da energia e do combustível será muito superior ao que se perspectivava no início do ano", acrescentou.

The Navigator Company: Com lucros de 50,6 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, a empresa com renome ao nível mundial melhorou os resultados em 115,2% face ao mesmo período de 2021. Mais uma vez fazendo menção à guerra na Ucrânia, o grupo diz ter atuado rapidamente, "aumentando a produtividade dos seus ativos industriais e potenciando a eficiência no consumo de matérias-primas e subsidiárias". Além disso, "moderou o aumento dos custos variáveis via contenção dos consumos específicos, nomeadamente na produção de pasta, e continuou o esforço de contenção de custos fixos, que tiveram um acréscimo muito moderado".

"Importa realçar a grande agilidade e conhecimento de negócio de todas as equipas da Navigator, que com sucesso anteciparam o forte aumento de custos, pelo que, através de uma política responsável de ajustamento de preços e uma estratégia de diferenciação eficaz, alicerçada no reforço das vendas de produtos premium e de marcas próprias de prestígio e reputação internacional, conseguiram compensar de forma decisiva o aumento de custos verificado", destaca o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

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