"Entre 2017 e 2020, a riqueza líquida média por família aumentou substancialmente em termos reais, 19,9%, tal como a riqueza líquida mediana aumentou 31,3%, para 200,4 mil euros e 101,2 mil euros respetivamente", começa por se indicar num post de 3 de agosto no Facebook, remetido ao Polígrafo com solicitação de verificação de factos.

"Os 10% das famílias mais ricas detêm 51,2% da riqueza total (são aliás proprietárias de 44,3% do valor das residências principais e de 82,4% do valor total dos outros imóveis e as únicas com um valor significativo nos ativos financeiros de ativos transacionáveis), abaixo dos 50% apenas 8,7% da riqueza total", sublinha-se, evidenciando a desigualdade na distribuição da riqueza em Portugal.

A tabela do post foi replicada a partir do "Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF) - 2020", publicado no dia 3 de agosto. Trata-se de uma iniciativa conjunta do Banco de Portugal (BdP) e do Instituto Nacional de Estatística (INE), providenciando uma fonte de informação que possibilita caraterizar detalhadamente a distribuição da riqueza e da dívida das famílias residentes no país.

De acordo com o referido documento, "entre 2017 e 2020, a riqueza líquida média por família aumentou 19,9% em termos reais e a riqueza líquida mediana aumentou 31,3%, para 200,4 mil euros e 101,2 mil euros, respetivamente. A evolução do rácio entre o percentil 90 e o percentil 10 da riqueza líquida, do índice de Gini e da percentagem de riqueza na posse das famílias com maior riqueza líquida apontam para uma ligeira redução da desigualdade entre 2017 e 2020".

"As famílias portuguesas têm uma clara preferência por ser proprietárias da sua residência: apenas 2,0% das famílias que vivem em casa própria preferiam ter arrendado e 63,5% das famílias que arrendam a casa onde habitam preferiam ter comprado. Os rácios de endividamento reduziram-se entre 2017 e 2020", informa-se no ISFF de 2020.

"A riqueza líquida de uma família corresponde à diferença entre o valor dos seus ativos e das suas dívidas. Em relação a 2017, ano em que se realizou a edição anterior do ISFF, a riqueza líquida média por família aumentou 19,9% em termos reais, para 200,4 mil euros (a riqueza mediana aumentou 31,3%, para 101,2 mil euros). Os ativos reais e os ativos financeiros contribuíram para esta evolução, que é consistente com o aumento dos preços no mercado imobiliário e o aumento dos depósitos das famílias neste período, especialmente acentuados desde a pandemia. O valor médio da dívida, considerando as famílias com e sem dívida, manteve-se em cerca de 25,1 mil euros, e o valor mediano permaneceu nulo, uma vez que a percentagem de famílias sem dívida é superior a 50%", especifica-se.

Quanto à desigualdade ou assimetria da distribuição da riqueza, de acordo com o ISFF de 2020, "reduziu-se ligeiramente".

"Em 2020, as famílias pertencentes ao conjunto das 10% com maior riqueza líquida (percentil 90) detinham 51,2% da riqueza líquida total (53,9% em 2017). O rácio entre o percentil 90 e o percentil 10 (P90/P10) da riqueza líquida reduziu-se em relação a 2017. A evolução do índice de Gini e a da percentagem de riqueza na posse das famílias com maior riqueza líquida apontam também para uma ligeira redução da desigualdade entre 2017 e 2020", salienta-se no mesmo estudo.

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