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Desmaio de Marcelo. Suplemento nutricional consumido pelo Presidente deve ser utilizado para substituir refeições?

Política
O que está em causa?
Na tarde de ontem, durante uma visita à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, no campus da Costa de Caparica, o Presidente da República desmaiou após sentir uma indisposição. Tratou-se de uma "quebra de tensão repentina", garantiu Marcelo, que confessou não ter almoçado antes da cerimónia. Mais uma vez, confessou ter tomado "um Fortimel", mas será que este suplemento nutricional deve ser utilizado como substituto de refeições por pessoas saudáveis?

Um Fortimel a substituir o almoço e um Moscatel “quente”. Foi o cocktail que, segundo o Presidente da República, terá provocado a indisposição repentina que o levou a perder os sentidos durante uma visita à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, no campus da Costa de Caparica, durante a tarde desta quarta-feira, 5 de julho.

“Eu não costumo almoçar. Tomei aquilo que tomo normalmente e fui a conduzir bem (…) Antes da parte dos discursos da cerimónia tinham-me proposto um brinde com moscatel e eu disse não, porque vou falar. Com isto, acabei por beber o moscatel quente, [num momento] mais tarde. E eu acho que deve ter interagido, provavelmente, com a digestão”, contou Marcelo depois de ter recebido alta do Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, onde foi assistido e realizou exames após ter desmaiado esta quarta-feira.

“Aquilo” que Marcelo toma regularmente a fazer as vezes do almoço é uma embalagem de Fortimel, “um suplemento nutricional oral hiperproteico e hipercalórico, indicado para indivíduos que sofrem de malnutrição, risco de malnutrição ou para satisfazer as necessidades nutricionais de quem não as consegue alcançar através da alimentação habitual“. A descrição do produto foi feita ao Polígrafo, em março de 2021, por Paulo Maçãs Santos, diretor de cuidados de saúde da Danone Nutricia, empresa que desenvolve e produz este suplemento.

O clínico esclareceu ainda que o produto é utilizado para quadros associados à perda de peso e/ou apetite, pós-operatório ou doentes com necessidades nutricionais aumentadas devido a complicações, “como é o caso de doentes internados ou em recuperação após SARS-CoV-2 ou outras doenças, como as oncológicas“.

Há dois anos, o Presidente participou numa reportagem da SIC com enfoque na sua rotina diária no Palácio de Belém, em Lisboa. À hora de almoço, sentado num banco do jardim, o Chefe de Estado abriu uma embalagem de Fortimel e bebeu, dizendo que esse suplemento nutricional “substitui uma refeição“.

Na altura, o Polígrafo verificou esta alegação junto de especialistas. Graça Ferro, nutricionista e diretora do Serviço de Nutrição e Alimentação da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, explicou que este tipo de suplementos nutricionais, “tal como o próprio nome indica, são um complemento às refeições. Ou seja, devem ser utilizados quando os indivíduos não conseguemcom a alimentação tradicionalatingir as suas necessidades, quer calóricas, quer em proteína, hidratos de carbono, gordura ou vitaminas e minerais”.

Ferro alertou para a importância de “não passar a ideia de que estes suplementos devem ser utilizados como meio de facilitismo ou de deixar de fazer refeições, embora em alguns quadros específicos sejam indicados”.

“Não é que a toma esporádica destes suplementos vá prejudicar a saúde de quem o faz, mas não foi para esta utilização que os suplementos nutricionais orais foram desenvolvidos“, sublinha. E acrescentou: “Os alimentos reais têm bons nutrientes e a sua biodisponibilidade, até pelas combinações entre si, permitem uma absorção, uma digestão e uma utilização de nutrientes de uma forma muito mais fisiológica para o nosso organismo.”

Também em declarações ao Polígrafo, Rosário Monteiro, assistente de Medicina Geral e Familiar na ARS Norte e professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, considerava que estes suplementos “devem ser entendidos como dispositivos médicos, ou seja, devem ser utilizados sob supervisão médica“.

“Em algumas situações pontuais, mas repito, sob aconselhamento de profissionais de saúde, eles poderão ser integrados num dia alimentar do indivíduo. Mas não havendo outro tipo de patologia, não substituem uma alimentação variada e equilibrada“, concluiu.

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Avaliação do Polígrafo:

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