"A Amazónia perde o equivalente a quatro campos de futebol por minuto por meio do desmatamento, segundo dados do próprio Governo. Mais de 1.800 quilómetros quadrados foram desmatados em julho a uma taxa quase duas vezes mais rápida do que o pior mês já registrado no atual sistema de monitoramento, que começou em 2015", lê-se num artigo publicado na página "Ciencianautas", com o seguinte título: "A Amazónia perdeu uma área maior que Londres por conta do desmatamento em julho".

"Isso confirma o temor de que o presidente Jair Bolsonaro tenha efetivamente dado luz verde à invasão ilegal de terras, extração de madeira e queimadas, enfraquecendo as agências governamentais responsáveis ​​pela proteção da floresta tropical", acrescenta o mesmo artigo.

E depois conclui: "Acredita-se que a Amazônia contenha 30% de todas as espécies e é um sumidouro globalmente essencial para o dióxido de carbono. Mas no ano passado o desmatamento subiu para o nível mais alto em uma década, empurrando a maior floresta tropical do mundo em direção a um ponto de inflexão do qual não pode se recuperar".

Vários utilizadores da rede social Facebook denunciaram este artigo como fake news. É verdade ou não que a desflorestação na Amazónia brasileira atingiu uma área maior do que Londres durante o mês de julho? Verificação de factos.

De facto, a desflorestação da Amazónia brasileira atingiu 2.254 quilómetros quadrados (km2) em julho, um número 278% superior ao mesmo período de 2018, referem as últimas estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), atualizadas no dia 6 de agosto e noticiadas em vários órgãos de comunicação social, do Brasil ao Reino Unido e passando por Portugal.

De acordo com a projeção do instituto, que capta dados mensais através de um sistema de alertas de alterações na cobertura florestal da Amazónia, a desflorestação passou de 596 km2, em julho de 2018, para 2.254 km2 registados no mês passado.

O INPE já havia assinalado um crescimento de 88% na desflorestação em junho, em relação ao mesmo mês em 2018, dados que foram publicamente contestados pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e levaram à demissão do presidente anterior da instituição Ricardo Galvão. O Governo acabou por nomear como presidente interino daquela entidade Darcton Policarpo Damião, oficial da Força Aérea Brasileira, doutorado em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), onde escreveu uma tese sobre desflorestação na Amazónia.

Os números mostraram que ainda que o desmatamento registado em julho (2.254 km2) equivale a mais de um terço de todo o volume dizimado nos últimos 12 meses, entre agosto de 2018 e julho de 2019 (6.833 km2).

Ora, a área total da cidade de Londres equivale a 1.572 km2, pelo que se confirma assim a veracidade da publicação em análise.

Nota editorial: este conteúdo  foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam naquela rede social.

Na escala de avaliação do Facebook este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "verdadeiro" ou "maioritariamente verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo este conteúdo é:

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