"Vocês sabiam que, em Portugal, descendentes de uma família pobre precisam de cinco gerações até conseguirem rendimentos médios? E que 47% dos gerentes nacionais tiveram um pai que também foi gerente? Não sou eu que digo, é a OCDE", destaca-se no tweet em causa, datado de 14 de outubro de 2020.

Estas alegações têm sustentação factual?

Em meados de 2018, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou um estudo sobre a mobilidade social em Portugal, isto é, a progressão na escala de rendimentos, medida no período de uma vida ou de geração para geração. Este é o estudo referido no tweet, acessível através de uma hiperligação.

No documento conclui-se que, em Portugal, "a mobilidade social é baixa na parte inferior - ‘pisos pegajosos’ impedem que as pessoas subam - e ainda mais baixa no topo – os tectos são ‘pegajosos’. Além disso, existe um risco substancial para os agregados familiares de rendimento médio deslizarem para rendimentos baixos e pobreza ao longo do seu ciclo de vida".

A OCDE vai mais longe e estima o número de gerações necessárias para a obtenção de mobilidade social em famílias de baixos rendimentos. "Tendo em conta a mobilidade de rendimentos de uma geração para a próxima, bem como o nível de desigualdade de rendimentos, em Portugal pode levar aproximadamente cinco gerações para que crianças nascidas em famílias na parte baixa da distribuição de rendimento alcancem o rendimento médio", destaca-se.

Portugal está assim ligeiramente abaixo da média da OCDE que se cifra em 4,5 gerações. É na Dinamarca que a mobilidade social é mais eficaz, com apenas duas gerações a separarem rendimentos baixos de rendimentos médios. No fundo da tabela destaca-se a Colômbia, com 11 gerações de distância.

E o que acontece com os rendimentos, também acontece com as formações e, consequentemente, com as profissões. Se os pais forem trabalhadores manuais, há 55% de probabilidade de os filhos crescerem e tornarem-se igualmente trabalhadores manuais. "Ao mesmo tempo, filhos de gerentes têm cinco vezes mais possibilidades de se tornarem gerentes do que filhos de trabalhadores manuais, uma proporção muito maior do que a média da OCDE", indica-se no estudo.

Em suma, as alegações do tweet baseiam-se nas conclusões de um estudo da OCDE, publicado em 2018, sem qualquer tipo de extrapolação ou deturpação. Importa apenas salientar que o número de cinco gerações consiste numa estimativa a partir de dados estatísticos.

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