"Agora decidiram sem informar o patrão - nós, o Zé Povinho - montar um restaurante de luxo dentro da Assembleia da República para o seu belo repasto. Uma verdadeira ofensa aos portugueses que já não têm comida para dar aos filhos e que agora assistem a este desrespeito que os deputados subsidiam com os nossos impostos, para que a eles só lhes custe 10 euros", destaca-se no texto da publicação em causa.

É verdade que os deputados pagam 10 euros por refeições de 100 euros na cantina da Assembleia da República?

O Polígrafo já verificou várias publicações que apontavam no mesmo sentido, embora com valores distintos: cinco cêntimos por um café, 10 cêntimos por uma mini, três euros por uma garrafa de champanhe, etc. Embora alguns preços cobrados na Assembleia da República sejam inferiores aos que são praticados no mercado, essas publicações difundiam falsidades.

Na Assembleia da República existem uma cantina e duas cafetarias abertas ao público em geral e um café e um restaurante de acesso exclusivo a deputados. Na cantina aberta ao público, cada refeição inclui pão, sopa, prato principal e fruta e tem um custo de 4,27 euros para "funcionários parlamentares e funcionários parlamentares aposentados, pessoal dos gabinetes e da dotação dos grupos parlamentares", todos os trabalhadores que "exerçam funções nos órgãos e serviços da Assembleia da República" e forças de segurança (GNR e PSP), indica-se no regulamento de acesso ao serviço de refeitório, publicado em 2014. Para deputados e jornalistas, o valor é de 5,80 euros. E para os restantes utentes é de 7,30 euros.

Quanto ao restaurante exclusivo dos deputados, classificado como "restaurante de luxo" na publicação sob análise, dispõe de uma ementa diária e de uma "carta de restaurante". É a "carta de restaurante" que oferece opções mais requintadas. O menu divide-se em "couvert", "entrada", "peixe", "carne" e "sobremesa" e os preços vão dos 1,10 aos 17,20 euros. Há entradas de cocktail de camarão (6,20 euros), arroz de tamboril com gambas (16,55 para duas pessoas), arroz de marisco e chateaubriand (a 17,20 euros, também para duas pessoas). Há também pratos como bacalhau cozido e salmão grelhado (ambos a 6,60 euros), entrecôte Maitre d'Hotel (8,15 euros), lombo de porco au Persil (5,90 euros) ou bife à portuguesa (8,70 euros).

O Polígrafo verificou os preços de pratos de alguns restaurantes de gama média em Lisboa. O preço de uma refeição de bacalhau cozido ou salmão grelhado situa-se entre 10 e 15 euros. No restaurante dos deputados, essa refeição tem um custo de 6,60 euros. O arroz de tamboril com gambas, para duas pessoas, geralmente varia entre 20 e 40 euros. No restaurante dos deputados, esse valor fixa-se nos 16,55 euros.

Em suma, confirma-se que há uma diferença de preços, servindo-se refeições mais baratas na Assembleia da República. Mas não se trata de uma proporção de 10 para 100 euros, como se alega na publicação que difunde assim uma falsidade.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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