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Deputados do Chega dizem que defendem os polícias mas faltaram a audiência com sindicato da PSP?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"Uma memória do quão falsos são estes defensores das forças de segurança", destaca-se num "tweet" de 16 de maio. Os deputados do Chega são os "defensores" mencionados, alegação sustentada pelo "post" de um dos membros da bancada parlamentar em que apela à proteção dos polícias. Já a falsidade que lhes é imputada refere-se à suposta não comparência dos deputados do partido numa audiência parlamentar da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia. Confirma-se?

No Twitter, é exposta uma comparação entre duas publicações: a “expectativa” contraposta à “realidade”. O primeiro post é da autoria de Rui Paulo Sousa, deputado do Chega na Assembleia da República. Terá escrito o seguinte no Facebook: “Das constantes agressões de que são alvo os agentes da autoridade ninguém fala, mas o Chega não os esquece e jamais deixará de defender todos os que arriscam a vida para proteger os cidadãos.”

No tweet em análise, garante-se que esta é “uma memória do quão falsos são estes defensores das forças de segurança”. Isto porque no segundo post recuperado da página do Facebook da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) destaca-se a ausência do Chega numa audiência do sindicato na Comissão de Orçamento e Finanças.

A informação é verdadeira?

As duas publicações colocadas lado a lado no tweet são verdadeiras. O post de Rui Paulo Sousa data de 3 de junho de 2022 e contém a mensagem já citada – de condenação às agressões contra agentes da autoridade e de acusação em relação ao suposto “fechar de olhos” a estas situações.

[facebook url=”https://www.facebook.com/profile/100000674966404/search/?q=das%20constantes%20″/]

Já a publicação da ASPP/PSP foi divulgada a 12 de maio de 2022, como pode confirmar aqui. Informava-se que a organização sindical tinha sido ouvida no dia anterior na 5.ª Comissão de Orçamento e Finanças e que “já tinha enviado a todos os grupos parlamentares, um documento crítico sobre o OE de 2022”, servindo a ocasião para voltar a evidenciar um conjunto de problemas estruturais que a PSP atravessava.

Indicava-se ainda que na audição parlamentar “estiveram presentes os grupos parlamentares do PSD, do PS e do PCP e ausentes o Chega, IL, BE, PAN e Livre“. De facto, a gravação no site da “ARTV” prova que só estavam três deputados na audiência no âmbito da apreciação, na especialidade, do Orçamento do Estado para 2022. Ana Bernardo a representar o PS, Alexandre Simões do PSD e João Dias do PCP. Confirma-se então a ausência do Chega.

[facebook url=”https://www.facebook.com/aspppsp/posts/pfbid0n7cUbsHmXdSEgTuGZESwmUbwYiCsejLRrJYQxvtM5eZH2tbCwWN7rqUPwLgNhRE8l”/]

Há que notar que a audiência remonta a 2022, ou seja, não é atual. No entanto, também é verdade que no tweet em análise começa por referir-se que esta é uma “memória”.

Contactado pelo Polígrafo, Paulo Santos, presidente da ASPP/PSP, não quis comentar a publicação analisada. Já fonte oficial do Chega confirma que o partido não esteve presente na referida audiência à ASPP/PSP. Justifica a ausência pelo facto de “o deputado responsável pela Comissão em que decorreu a audiência estar, na mesma altura, em duas audições aos ministros da Cultura e do Ambiente realizadas no âmbito da discussão do Orçamento do Estado”.

Defende ainda que a “ideia que se quer passar de desrespeito [do Chega] pelas forças de segurança é falsa“, garantindo que se “pode comprovar pelas reuniões que o Grupo Parlamentar do Chega tem tido, desde que tomou posse, com associações do setor, bem como pela quantidade de projetos apresentados pelo partido relacionados com as forças de segurança”.

Em suma, é verdade que o partido liderado por André Ventura não marcou presença na referida audiência parlamentar da associação sindical de polícias. No entanto, importa referir que o episódio remonta a 2o22.

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Avaliação do Polígrafo:

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