"Aquele momento em que, como medida de contingência face ao surto de coronavírus, os deputados portugueses deixam de fazer o registo biométrico com impressão digital, mas os profissionais de saúde continuam a ter de o fazer", escreve-se na publicação em causa.

Confirma-se? Verificação de factos.

O Polígrafo contactou fonte oficial da Assembleia da República, que nos assegurou que "os deputados nunca deixaram de registar a presença e não houve qualquer alteração desde as que foram feitas há um ano e meio". Ou seja, na altura das "presenças-fantasma" no plenário. Este registo é feito no computador, através de um username e password.

"Assim, após a inserção das credenciais (username e password), aparecerá o seguinte popup [imagem em baixo]. Poderá registar a presença, premindo o botão 'SIM', ou, caso não pretenda registar a presença na reunião, deverá premir a cruz ( X ), no canto superior direito. Se o deputado carregar no 'sim' tem de esperar 30 segundos até a sua presença ser efetivamente registada no sistema de informação para o plenário", pode ler-se numa notícia do jornal "Observador" sobre o mesmo tema.

créditos: © Observador

De acordo com o Plano de Contingência da AR só os funcionários deixaram de fazer o registo da assiduidade através da impressão digital. "O registo biométrico de assiduidade e pontualidade deixa temporariamente de ser feito através do reconhecimento de impressão digital, passando a efetuar-se através do reconhecimento de cartão personalizado de cada funcionário", pode ler-se no documento.

Em relação ao registo dos profissionais de Saúde, a Direção Geral da Saúde sublinha que "não se verifica à data, evidência de que a suspensão da utilização de registo biométrico reduza o risco de infeção quando comparado com todas as superfícies e objetos potencialmente contaminados em ambiente das unidades de saúde." E adianta: "Todas as unidades de saúde devem adotar as medidas organizacionais que se revelem necessárias a garantir de forma regular a disponibilização de solução antisséptica de base alcoólica junto destes sistemas, juntamente com informação sobre os procedimentos de higienização das mãos."

Ainda que os deputados não façam o registo biométrico com impressão digital, tal não se deve ao surto do Covid-19 como a publicação sob análise sugere. Esta medida foi imposta há mais de um ano, após a polémica das "presenças-fantasma". Quem deixou de fazer esse registo foram, sim, os funcionários de AR. Já em relação aos profissionais de saúde, é de facto verdade que continuem a ter de utilizar o registo biométrico com impressão digital.

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Nota editorial 1: este texto foi produzido pela redação do Polígrafo e cientificamente validado pela Direção-Geral da Saúde, no âmbito de uma parceria estabelecida entre as duas entidades a propósito de um tema que se reveste de um inquestionável interesse público.

Nota editorial 2: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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