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Deputado do Chega está na lista de detenções da Flórida como imigrante ilegal e tem processos no Brasil?

Política
O que está em causa?
O passado dos novos deputados eleitos na Assembleia da República não escapa ao escrutínio das redes sociais. O mais recente "tweet" que se tornou viral acusa Marcus Santos, o quinto eleito pelo Chega no círculo eleitoral do Porto, de ter sido detido duas vezes nos Estados Unidos em 2004 e 2005 por imigração ilegal. Alega-se ainda que o luso-brasileiro "tem dois processos pesquisáveis no JusBrasil, 'site' de processos judiciais brasileiros". Verdade ou mentira?

“Urgente! O deputado do Chega Marcus Santos já esteve preso nos EUA, mais precisamente em Hillsborough, no estado da Flórida, por duas vezes, 1 em 28/12/04 e outra em 02/02/2005! Ao que se percebe pelos registos, terá sido por imigração ilegal!”, destaca-se num dos vários tweets sobre o recém-eleito deputado do Chega, Marcus Santos.

Do tweet consta ainda um aparente registo com a fotografia do quinto eleito pelo Chega no círculo eleitoral do Porto, num site que divulga registos de detenções em prisões públicas nos Estados Unidos.

No seguimento deste tweet surgiu um outro que aponta que “o deputado do Chega Marcus Santos afirmou que não tem nenhum problema com a justiça”, no entanto, “para além do que consta nos EUA, tem dois processos pesquisáveis no JusBrasil, site de processos judiciais brasileiros”. Confirma-se?

De facto, no site em causa, o “arrests.org“, encontram-se dois registos de detenções de Marcus Santos, nascido no Brasil no dia 17 de abril de 1979, com as respetivas fotografias tiradas no ato da detenção. Santos foi detido em Hillsborough, no estado norte-americano da Flórida, primeiro no dia 28 de dezembro de 2004 e depois no dia 2 de fevereiro de 2005 sob a acusação de “fraude na imigração“.

Na mesma página adverte-se, no entanto, que as “informações e fotografias apresentadas neste site foram recolhidas dos sites dos Gabinetes do Xerife do Condado ou dos Tribunais” e que “as pessoas apresentadas podem não ter sido condenadas pelas acusações ou crimes indicados” sendo “presumidas inocentes até que sua culpa seja comprovada”.

Marcus Santos, segundo um artigo da revista “Visão“, saiu do Brasil com 18 anos rumo aos Estados Unidos, onde viveu até 2009, e está em Portugal desde que saiu dos Estados Unidos.

A afirmação a circular nas redes sociais levou Marcus Santos a reagir. Em mensagem publicada no Facebook e na rede social X no dia 21 de março, o deputado eleito afirmou que “é incrível como tentam atacar aqueles que buscam fazer o bem” e garantiu não ter “nenhum problema com a justiça americana ou de algum outro país”.

Acrescentou ainda que vai todos os anos aos Estados Unidos onde é recebido pelos seus alunos “com muita admiração e carinho”. Na mesma publicação partilhou imagens de 2022, quando recebeu “uma carinhosa homenagem por todo trabalho prestado” à sua comunidade nos “anos” que viveu lá.

Quanto à alegação de que possui processos no site JusBrasil, uma empresa privada que recolhe, organiza e disponibiliza informação jurídica pública, também se confirma. 

O Polígrafo consultou os dois processos nos quais Marcus Santos surge como parte envolvida. No primeiro, em 2001, está em causa uma “lesão corporal leve” em que o autor do ato é o deputado luso-brasileiro eleito pelo Chega. O processo foi arquivado estando no Arquivo Geral do Rio de Janeiro desde 2009.

O segundo processo foi aberto em 2021 por Marcus Santos contra a empresa “Bermudas Pega Leve” e ainda se encontra em andamento. Em causa está uma indemnização de 40 mil reais por “dano moral” em que o deputado terá recorrido da decisão inicial, mas o pedido foi negado. O processo foi analisado e a decisão aceite pelo juiz.

O Polígrafo contactou o deputado e o Chega, mas não obteve qualquer resposta.

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Avaliação do Polígrafo:

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