"A Inês do PAN criticava estufas no Alentejo mas era dona de estufas. A Catarina Martins nao gostava de Alojamento Local, excepto aquele em que tinha sociedade. Agora temos o deputado que acha perigoso ver imigrantes em Portugal, a não ser que estejam na sua plantação de espargos", destaca-se num tweet partilhado a 3 de janeiro, com alegações que se estendem também ao Facebook.

A publicação surge na sequência de críticas de Rui Paulo Sousa, deputado do Chega, à presença de imigrantes no Terreiro do Paço, em Lisboa, durante as celebrações da Passagem de Ano. A este texto, acrescentam-se duas capturas de ecrã: uma do tweet feito pelo deputado do Chega no dia 2 de janeiro e outra de um pequeno texto em que se aponta que foram contratados vários trabalhadores, entre os quais indianos, para a apanha de espargos. Confirma-se?

Um texto publicado em 2018 no site Vila Rural, que, segundo o perfil editorial, se trata de uma "publicação portuguesa de referência no mundo dos agronegócios e a única revista da especialidade presente nas bancas", cita declarações dadas por Rui Paulo Sousa que era, à data, gerente da empresa VillaBosque – Espargos Verdes do Ribatejo, dedicada à plantação de espargos.

Na altura, o deputado do Chega destacava que "as maiores dificuldades" eram "a mão-de-obra e as pragas", vindo depois a revelar que recorreu "a empresas de trabalho temporário" que enviaram "por exemplo, indianos". E concluía ser "muito difícil arranjar pessoal de confiança".

No registo de interesses do deputado no site da Assembleia da República confirma-se que o empresário foi "administrador" da VillaBosque entre 28 de janeiro de 2015 e 29 de dezembro de 2020, não desempenhando atualmente esse cargo.

Ou seja, além de as declarações terem já cinco anos, o deputado também já não desempenha o cargo de administrador da empresa de plantação de espargos há três anos.

O Polígrafo contactou o Chega, que indicou que "o deputado Rui Paulo Sousa não alterou em nada a sua posição face à matéria em apreço [imigração], seja enquanto empresário ou enquanto deputado eleito pelo Chega".

Acrescenta-se ainda que Rui Paulo Sousa "sempre se mostrou favorável à contratação de imigrantes uma vez que, tal como referiu, não é fácil encontrar portugueses que queiram realizar trabalhos agrícolas", contudo, "estes trabalhadores eram legais" e "estavam em Portugal de forma legal".

Por fim, o Chega conclui que "a questão não é a sua nacionalidade, mas sim a forma como entram em Portugal, especialmente agora que se tem assistido a um descontrolo e massificação na chegada de imigrantes a Portugal, colocando em causa equilíbrios sociais e demográficos".

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