A história já tem alguns meses, mas ressurgiu há poucos dias nas redes sociais e em páginas como a anónima “Evento XXI”, tendo despertado o interesse de vários leitores do Polígrafo, que solicitaram, via WhatsApp, a sua verificação.

O título do artigo é chamativo: “Um comunista apanhado num hospital privado”. Seguem-se as imagens de António Filipe, deputado do Partido Comunista Português (PCP), na sala de espera do que é suposto ser o Hospital da Luz (propriedade de uma empresa privada, a Luz Saúde, sucedânea da Espírito Santo Saúde após a sua aquisição, em 2014, pela Fidelidade/Fosun), em Lisboa, e de um cartaz de propaganda do PCP, alegadamente nas imediações dessa mesma unidade hospitalar, com a seguinte mensagem reivindicativa: “Mais investimento, mais profissionais para o Serviço Nacional de Saúde. A saúde é um direito, não é um negócio! Política patriótica e de esquerda”.

O texto do artigo é sucinto, embora algo confuso: “O deputado comunista António Filipe entrou num hospital privado. Um utilizador de Facebook decidiu fotografá-lo sentado na sala de espera e publicar a imagem nas redes sociais, insinuando uma hipocrisia por parte do comunista. A publicação tornou-se viral, com mais de mil partilhas - mas o comunista não deixou o utilizador sem resposta, noticia a ‘Sábado’. ‘Estou na sala de espera de cirurgia cardio-torácica no 2° andar do Hospital da Luz. Neste momento. Esta frente à entrada do hospital o cartaz na primeira foto. Está sentado à minha frente o deputado do PCP, António Filipe, segunda foto. É tão boa a esquerda portuguesa, não é?’, lê-se na publicação que originou esta polémica”.

A publicação em causa data de meados de julho de 2018, foi assinada por Ricardo Gouveia Pinto e teve origem na página “Portugal Contra a Geringonça”. Este artigo do “Evento XII”, cerca de seis meses depois, limita-se a replicar a história, mas omitindo a explicação que o próprio deputado comunista deu na altura em que surgiu a publicação original.

“Caros amigos, recebi de alguns de vós o testemunho da indignação pelo facto de um qualquer desqualificado ter publicado no Facebook uma foto que me tirou à sorrelfa na sala de espera de um hospital a que me desloquei por razões que só a mim me dizem respeito. Entende o pateta que, por ser comunista, eu não poderia entrar num hospital que é privado (apesar de viver à custa de contribuições, como a minha, para a ADSE). É claro que recebeu centenas de likes e partilhas alarves e fascistas, a par de alguns comentários de perplexidade por uma publicação tão abjeta”, escreveu então António Filipe, na sua página pessoal na rede social Facebook.

“Serve isto para dizer aos meus amigos que estejam tranquilos. Não estou doente. E já agora, desejo ao autor da foto, que não identifico porque respeito mais a sua privacidade do que ele respeita a minha, e que pelos vistos frequenta o hospital em que eu, por ser comunista, não posso entrar, rápidas melhoras caso esteja doente, e que se torne, se possível, uma pessoa melhor do que demonstra ser”, garantiu o deputado do PCP.

Ou seja, António Filipe não estava doente, mas foi visitar um amigo ou familiar ao Hospital da Luz. A publicação original ainda tem o benefício da dúvida por não saber os verdadeiros motivos da presença do deputado comunista num hospital privado. Mas esta nova publicação, seis meses depois, ainda para mais sob a aparente forma de artigo jornalístico, omite intencionalmente esse esclarecimento de António Filipe.

“A publicação tornou-se viral, com mais de mil partilhas - mas o comunista não deixou o utilizador sem resposta”, indica o artigo. Mas depois corta essa resposta do deputado, a partir do artigo original de onde copiou o texto.

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