"O membro independente do Parlamento, Dr. Heinrich Fiechtner, foi retirado à força do Parlamento estadual de Estugarda na Alemanha pela Polícia na quarta-feira, depois de ter atacado os partidos de esquerda que governam a Alemanha. Fiechtner acusou-os de 'terem sangue nas mãos' por 'inundarem o país com bandidos muçulmanos'", descreve-se no texto da publicação em causa.

Na realidade trata-se do do Parlamento Regional de Baden-Württemberg, um dos 16 Estados (ou Länder, no alemão original) que integram a República Federal da Alemanha, situado na respetiva capital, a cidade de Estugarda.

Deputado alemão Heinrich Fiechtner

De acordo com a mesma publicação, Fiechtner, antigo deputado da AfD (Alternative für Deutschland, traduzível como Alternativa para a Alemanha, partido xenófobo, anti-imigração e de extrema-direita), "criticou as políticas comunistas dos líderes estabelecidos, que permitiram que a Alemanha fosse inundada com imigrantes perigosos que trouxeram a guerra civil ao país anfitrião".

Em causa, destaca-se no texto, estavam "os piores distúrbios na História da Alemanha", quando "centenas de jovens muçulmanos gritando 'Allahu Akbar' entraram em choque com a polícia. Várias centenas de invasores muçulmanos e radicais de esquerda congregaram-se no centro da cidade e atacaram lojas, destruíram carros, partiram vitrinas e saquearam negócios durante várias horas. Atacaram a sede da polícia com garrafas e partiram carros da polícia".

Confirma-se que um "deputado alemão condena invasão islâmica e é levado pela polícia" do Parlamento Regional de Baden-Württemberg em Estugarda?

Tudo aconteceu durante uma sessão parlamentar realizada no dia 24 de junho de 2020. Segundo vários relatos na imprensa alemã, o deputado independente criticou veementemente os deputados de outros partidos, sobretudo da esquerda, por causa de uma noite marcada por violentos confrontos entre grupos de jovens e forças policiais na cidade de Estugarda.

No Parlamento, Fiechtner acusou outros deputados de terem "sangue nas mãos" por apoiarem a entrada de estrangeiros na Alemanha. Depois de ser chamado à atenção pela presidente do Parlamento, Muhterem Aras, insistiu com as acusações e acabou por ser ordenada a sua saída. No entanto, como recusou cumprir a ordem, foi mesmo retirado à força pela polícia, em momento registado pelos media alemães.

Heinrich Fiechtner

A atribuição de responsabilidades pelos conflitos na cidade alemã a grupos muçulmanos não é confirmada pelas autoridades policiais alemãs. No dia a seguir aos distúrbios, que ocorreram na madrugada de 20 para 21 de junho, o vice-presidente da polícia local, Thomas Berger, explicou que tudo começou com uma ação policial que visava um jovem de 17 anos por suspeitas de tráfico de droga. Nessa altura, numa espécie de onda de solidariedade, entre 200 a 300 pessoas juntaram-se e atiraram pedras e garrafas contra as forças de segurança, destruindo igualmente algumas lojas.

As autoridades descartaram qualquer motivação política no sucedido, indicando que eram grupos pequenos de pessoas reunidas no centro da cidade, num sábado à noite. Thomas Berger informou também que 24 pessoas foram detidas, entre as quais 12 cidadãos alemães e outros 12 oriundos de vários países. Não encontramos qualquer referência ao facto de serem imigrantes ou muçulmanos.

De qualquer modo, as imagens televisivas e os relatos na imprensa alemã comprovam que Fiechtner foi mesmo retirado à força do Parlamento em Estugarda pela polícia, depois de ter criticado outros deputados com acusações que parecem ser infundadas.

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