Na imagem de cima surgem quatro mulheres identificadas como sendo as “ministras da Defesa da Suécia, Dinamarca, Noruega e Holanda”, enquanto na imagem de baixo surge apenas um homem cuja legenda apresenta como sendo o “ministro da Defesa da Rússia”.

A publicação desta montagem foi feita a 7 de agosto pela página "Associação Portugueses Primeiro", com o objetivo de insinuar que as mulheres não têm capacidade para liderar a pasta governativa da Defesa Nacional e, por isso, tornam a Europa mais fraca em relação aos adversários. É esta a interpretação patente nas dezenas de comentários suscitados pela publicação.

No entanto, nem essa ideia é verdadeira nem a descrição está correta. Primeiro, a fotografia que junta as quatro ministras da Defesa foi captada em 2014, no âmbito de uma conferência anual sobre Segurança e Defesa que reuniu vários políticos internacionais. Ora, atualmente nenhuma das mulheres presentes na fotografia desempenha funções governativas na pasta da Defesa. Além disso, nenhuma das ministras representadas é a ministra da Defesa da Dinamarca, ou seja, a informação da legenda da fotografia está errada. Em 2014, a Dinamarca tinha um ministro da Defesa chamado Nicolai Halby Wammen.

Na fotografia superior, da esquerda para a direita estão Ine Eriksen Søreide (ex-ministra da Defesa da Noruega e que atualmente tutela a pasta dos Negócios Estrangeiros), Karin Enström (ex-ministra da Defesa da Suécia), Jeanine Hennis-Plasschaert (ex-ministra da Defesa da Holanda) e Ursula von der Leyen (ex-ministra da Defesa da Alemanha que foi recentemente nomeada como presidente da Comissão Europeia). A fotografia foi partilhada por Jeanine Hennis-Plasschaert e não é a primeira vez que é utilizada numa publicação jocosa. No que toca à imagem inferior, trata-se de Sergey Shoygu, ministro da Defesa da Rússia desde 2012. Esse é o único elemento correto da publicação.

Nenhuma das quatro mulheres que aparecem na fotografia é ministra da Defesa, atualmente, e o facto de serem do sexo feminino também não diminuiu a força militar dos países que representavam, como insinua a publicação. Muito pelo contrário. No caso da alemã Ursula von der Leyen, conseguiu aumentar o investimento na Defesa de 34,59 mil milhões em 2013 para 47,32 mil milhões de euros em 2019, perfazendo um aumento de 36,8%.

A ex-ministra da Noruega, Ine Eriksen Søreide, foi também responsável pelo aumento em 24% do investimento na Defesa Nacional norueguesa, entre 2014 e 2019. Comprou armas aos Estados Unidos da América e submarinos à Alemanha para aumentar a capacidade de patrulhamento no mar de Barents. Atualmente está à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

No caso de Jeanine Hennis-Plasschaert, antiga ministra da Defesa da Holanda e que é atualmente a Representante Especial da Missão das Nações Unidas no Iraque, o seu legado inclui várias missões de pacificação do Exército nacional holandês em teatros de operações como o Iraque, Afeganistão e Mali. Não obstante, Hennis-Plasschaert acabou por se demitir do cargo depois de uma explosão acidental num exercício de preparação no Mali ter vitimado dois soldados holandeses, admitindo existirem erros que poderiam ter sido evitados.

Das quatro ministras, a que esteve menos tempo no cargo foi Karin Enström que liderou a pasta entre 2012 e 2014. Neste caso não há muita informação sobre o desempenho do cargo, mas não encontramos factos fidedignos que apontem para o suposto enfraquecimento da capacidade de Defesa da Suécia.

Em suma, a insinuação de que uma mulher não tem capacidade para liderar o Ministério da Defesa não tem fundamento. As mulheres que aparecem na fotografia demonstraram a sua capacidade de liderança e, no global, melhoraram o estado em que se encontrava a tutela da Defesa dos respetivos países.

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Nota editorial: este conteúdo  foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam naquela rede social.

Na escala de avaliação do Facebook este conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "falso" ou "maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo este conteúdo é:

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