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Debates TV: Ventura critica Marcelo por ter elogiado legados de Costa e Centeno. Verdadeiro ou falso?

Eleições Presidenciais
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O que está em causa?
No debate de ontem à noite na RTP, André Ventura criticou Marcelo Rebelo de Sousa devido ao que entende ser uma excessiva colagem ao Governo do PS, ou proximidade entre os palácios de Belém e São Bento. A título de exemplo recordou que o Presidente da República (agora recandidato ao cargo) "disse que Mário Centeno ficará para a História e que o legado dele deverá ser respeitado" e "disse que o legado de António Costa é um seguro de vida porque é muito credível e muito bom".

O deputado e líder do Chega estava a ser confrontado com as críticas que tem feito ao que considera ser uma relação de excessiva proximidade entre o Presidente da República e o Governo, no sentido de manter a estabilidade política, quando a jornalista da SIC lhe perguntou: “Pensa que, num segundo mandato, o poder da palavra do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa terá muito menos força?”

“Eu espero que não haja um segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas, se houver, o que eu espero é que o candidato que se disse do centro-direita e passou os últimos anos a desacreditar o centro-direita, o PSD e o CDS na altura e agora o Chega… Ainda agora quando foram as cerimónias de Natal, eu não estava presente, e o candidato referiu que o Parlamento conseguiu integrar as forças não democráticas, estava-se a referir a mim”, começou por salientar André Ventura na resposta.

“Mas este é o candidato presidencial que disse que Mário Centeno [ex-ministro das Finanças] ficará para a História e que o legado dele deverá ser respeitado. Ou que disse que o legado de António Costa é um seguro de vida porque é muito credível e muito bom“, criticou depois o líder do Chega e candidato à Presidência da República.

Esta alegação é verdadeira ou falsa?

No dia 9 de junho de 2020, o Presidente da República reagiu à saída de Mário Centeno do Governo, substituído na pasta das Finanças por João Leão, para ocupar o cargo de governador do Banco de Portugal.

Foi e ainda é um grande ministro das Finanças, contribuiu muito para o prestígio externo de Portugal, nomeadamente na União Europeia, como presidente do Eurogrupo, e foi certamente das principais personalidades políticas dos últimos anos na vida nacional. Isso é um facto que é incontroverso”, enalteceu Rebelo de Sousa (pode conferir na gravação em vídeo da SIC).

Estes não foram os únicos elogios dirigidos a Centeno naquele mesmo dia. “Quando se fizer a História, não apenas o facto de ter atingido um superavit no Orçamento, mas de ter tido uma gestão como foi aquela a que assistimos nos últimos anos, isso fica para a História. E é inquestionável”, voltou a enaltecer Rebelo de Sousa.

Quanto ao primeiro-ministro António Costa, também se confirma que o Presidente da República elogiou o seu legado ou desempenho no cargo.

No dia 9 de março de 2019, na conferência de imprensa final da sua visita de Estado a Angola, na Escola Portuguesa de Luanda, após ser questionado sobre se sente que foi um pouco o “seguro de vida” do Governo minoritário do PS chefiado por António Costa, Rebelo de Sousa rejeitou essa leitura, contrapondo: “O seguro de vida do Governo foi a sua base de apoio parlamentar e aquilo que fez ao serviço do país. Isso é que foi o seu seguro de vida”.

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