Começando pelas sondagens referentes às eleições presidenciais de 2016 que, importa salientar, realizaram-se no dia 24 de janeiro, ao passo que em 2021 estão agendadas exatamente para o mesmo dia.

No dia 11 de dezembro de 2015, por exemplo, uma sondagem da Universidade Católica colocava Marisa Matias na quarta posição com 3% das intenções de voto, atrás de Maria de Belém (14%), Sampaio da Nóvoa (15%) e Marcelo Rebelo de Sousa (62%).

Posteriormente, a 15 de janeiro de 2016, uma sondagem da Eurosondagem colocava Marisa Matias também na quarta posição, mas com 4,8% das intenções de voto, novamente atrás de Maria de Belém (16,3%), Sampaio da Nóvoa (16,8%) e Marcelo Rebelo de Sousa (54,8%).

Quase na véspera das eleições, a 21 de janeiro de 2016, uma sondagem da Intercampus volta a colocar Marisa Matias na quarta posição, embora em crescendo, já com 7,8% das intenções de voto, ainda atrás de Maria de Belém (10,1%), Sampaio da Nóvoa (16,9%) e Marcelo Rebelo de Sousa (51,8%).

Atentando nos resultados finais - Marisa Matias na terceira posição com 10,12% dos votos registados, muito à frente de Maria de Belém (4,24%) e atrás de Sampaio da Nóvoa (22,88%) e Marcelo Rebelo de Sousa (52%) - torna-se claro que as sondagens como que subestimaram a candidatura da eurodeputada do Bloco de Esquerda, em sentido inverso ao de Maria de Belém que ficou muito distante (pela negativa) das intenções de voto nas sondagens.

Mas há que ter em atenção um acontecimento durante a campanha que terá influenciado a queda de Maria de Belém e a subida de Marisa Matias, entre as sondagens e os resultados finais nas urnas de voto. No dia 19 de janeiro de 2016, a poucos dias da eleição, surgiu a notícia de que "Maria de Belém pediu ao Tribunal Constitucional devolução das subvenções vitalícias dos políticos".

Segundo apurou o jornal "Expresso" na altura, "Maria de Belém está entre as três dezenas de deputados que pediram a inconstitucionalidade da norma do Orçamento de Estado de 2015 que obrigava os ex-políticos a beneficiar de subvenções vitalícias a declararem quanto ganhavam, para poderem continuar a beneficiar desse apoio. Os ex-titulares de cargos públicos cujo agregado familiar tem um rendimento superior a dois mil euros mensais viram suspenso esse pagamento. O Tribunal Constitucional, num acórdão conhecido segunda-feira, veio considerar inconstitucional tal norma. Uma das consequências é que o Estado terá de devolver aos ex-políticos as subvenções que deixou de pagar no ano passado".

A notícia teve um grande impacto no resto da campanha e a forma como Maria de Belém reagiu ao caso terá contribuído substancialmente para a queda eleitoral que, aliás, começou logo a notar-se nas derradeiras sondagens antes da votação.

Quanto às sondagens referentes às eleições presidencias de 2021, o facto é que, mais uma vez, Marisa Matias está muito distante dos 10,12% de votos (e terceira posição) que obteve em 2016.

No dia 4 de janeiro de 2021, por exemplo, uma sondagem da Aximage colocava Marisa Matias na quinta posição, com 5,6% das intenções de voto, atrás de João Ferreira (7,5%), André Ventura (8%), Ana Gomes (15,4%) e Marcelo Rebelo de Sousa (61,4%).

No dia anterior, uma sondagem da Pitagórica colocava Marisa Matias na quarta posição, com 4,5% das intenções de voto, à frente de João Ferreira (2,8%).

Em suma, confirma-se que em 2016, mais ou menos na mesma altura da pré-campanha eleitoral, Marisa Matias estava com intenções de voto muito inferiores (cerca de metade) ao resultado final que viria a obter nas urnas de voto. A partir da notícia de 19 de janeiro de 2016 que marcou a campanha de Maria de Belém, porém, começou a subir abruptamente nas intenções de voto. Resta saber se, em 2021, a história voltará a repetir-se ou não, com outros protagonistas (por entre vários repetidos).

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Avaliação do Polígrafo:

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