"Marcelo Rebelo de Sousa, por diversas vezes nas intervenções que teve sobre salários, teve uma intervenção há um ano, por exemplo, sobre o salário mínimo nacional, em que considerava 635 euros um valor razoável. Eu creio que quem faz as contas permanentemente para chegar ao fim do mês com 600 euros líquidos, ou menos do que isso, não achará certamente este valor razoável e, mais do que isso, não é um valor justo", afirmou esta noite João Ferreira, candidato à Presidência da República com o apoio do PCP e do PEV, no debate em que enfrentou o incumbente (e recandidato ao cargo) do Palácio de Belém.

Esta alegação do candidato comunista tem sustentação factual?

Sim. Remete para uma declaração proferida em novembro de 2019. À margem da cerimónia de juramento de Hipócrates dos novos médicos da Região do Sul da Ordem dos Médicos, em Lisboa, Rebelo de Sousa afirmou então que "o Presidente da República promulgou e, ao promulgar, disse que parecia razoável no contexto português. Eu não mudo de opinião em 15 dias, não chega a um mês. É razoável aquela decisão no contexto português".

A declaração surgiu em resposta a António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), que numa entrevista publicada no mesmo dia tinha defendido que o aumento do salário mínimo nacional não tinha "racionalidade económica" e que "o grande beneficiário (...) acaba por ser o Governo, o Estado num modo geral”.

Cerca de uma semana antes, de facto, Rebelo de Sousa tinha promulgado o diploma relativo ao salário mínimo nacional que determinou um aumento de 600 euros para 635 euros em 2020.

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