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Debates Presidenciais. Jorge Pinto diz que “de Portugal não se ouviu uma única palavra” sobre a proposta dos EUA para plano de paz na Ucrânia. Confirma-se?

Política
O que está em causa?
“Estamos a assistir a uma negociação feita entra a Casa Branca e o Kremlin na qual a Europa não é tida nem achada”, começou por afirmar o candidato presidencial. “Tivemos sobre esta proposta inicial dos EUA comentários de líderes de países como França, Roménia, Polónia. De Portugal não se ouviu uma única palavra.” Será verdade?

Esta quarta-feira, no debate frente-a-frente com Henrique Gouveia e Melo, transmitido pela TVI/CNN, Jorge Pinto criticou a postura dos governantes portugueses em relação ao plano de paz para a Ucrânia proposto pelos Estados Unidos da América (EUA).

“Estamos a assistir a uma negociação feita entra a Casa Branca e o Kremlin na qual a Europa não é tida nem achada”, começou por afirmar o candidato presidencial. “Tivemos sobre esta proposta inicial dos EUA comentários de líderes de países como França, Roménia, Polónia. De Portugal não se ouviu uma única palavra.”

Será verdade?

Não. No Portugal Internacional Summit, no 4.º aniversário da CNN, o Ministro dos Negócios Estrangeiros português criticou a proposta de plano de paz da Casa Branca, precisamente porque, disse, “deveria ela própria resultar também de uma audição prévia da Ucrânia, que não foi feita”

“Isso é um aspeto que nós, obviamente, criticamos”, disse Paulo Rangel, no evento a 21 de novembro.

Perto do fim do debate, Jorge Pinto referiu ainda achar “insustentável” Portugal ter um Primeiro-Ministro e um Presidente da República que sobre a situação atual “não têm nada a dizer”.

No entanto, a 25 de novembro Luís Montenegro já se tinha pronunciado, no X, sobre a proposta de plano de paz para a Ucrânia apresentada pelos EUA. “As negociações em curso devem prosseguir, com o envolvimento de todos, incluindo a Europa”, afirmou.

Também Marcelo Rebelo de Sousa já falou sobre o assunto. Em declarações transmitidas pela SIC Notícias, o Presidente da República afirmou: “Verifico com alegria que a Europa, e muitos dirigentes europeus, considera que é inaceitável aquele plano

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial da candidatura de Jorge Pinto explicou que o candidato “a crítica referia-se ao silêncio do Primeiro-Ministro Luís Montenegro, que só quase uma semana depois de ter surgido a proposta norte-americana é que sobre ela se pronunciou publicamente. Enquanto isso, no mesmo período, outros líderes europeus desmultiplicaram-se em reuniões e declarações”.

Segundo a mesma fonte, “Jorge Pinto não pôde elaborar mais por estar-se mesmo no fim do debate, mas quis falar num assunto que nem tinha sido trazido a debate pela moderação, mas que pela sua importância fez questão de referir.”

Em rigor, porém, a afirmação de Jorge Pinto é falsa. À data do debate, tanto o Primeiro-Ministro como o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros já se tinham pronunciado sobre o assunto.

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Nota Editorial: Artigo atualizado a 27 de novembro às 11h10 para acrescentar os esclarecimentos da candidatura de Jorge Pinto.

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Avaliação do Polígrafo:

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