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Debates Europeias. Tânger Corrêa: “Nunca na vida fui acusado de ter desrespeitado uma minoria ou um determinado grupo étnico”

União Europeia
O que está em causa?
Questionado no debate desta noite sobre o problema da desinformação, do discurso de ódio e dos limites à liberdade de expressão, António Tânger Corrêa considerou que o Chega é que é vítima de "discurso de ódio", na medida em que "tudo o que diz é mau e tem que ser atacado". Na mesma resposta, o ex-diplomata garantiu que nunca foi acusado de "ter desrespeitado uma minoria".

A pergunta centrava-se no facto de o Chega ser acusado de veicular discurso de ódio e desinformação, ao ponto de ter páginas bloqueadas em redes sociais. Mas o candidato do partido ao Parlamento Europeu inverteu a questão e colocou o Chega na posição de vítima do “discurso de ódio“, porque “tudo o que diz é mau e tem que ser atacado”.

Posto isto, defendeu que “nós lutamos pela democracia e em democracia quem manda são as maiorias. As minorias têm de ser respeitas, mas na democracia quem manda são as maiorias. Daí o nome ‘democracia’, é o poder do povo. E o que nós estamos a ver neste momento, com as agendas woke e com outro tipo de radicalismos que, esses sim, são nocivos à evolução da democracia, é que as minorias estão a tomar conta do discurso político, do discurso e da narrativa social e nós isso não podemos aceitar”.

Depois de sublinhar que “nós não podemos aceitar as ideologias do género, nós não podemos aceitar os wokismos, porque achamos que isso vai contra os direitos das maiorias”, Tânger Corrêa foi questionado sobre isso não é intolerância. Ao que respondeu que “não”, na medida em que “nós respeitamos as minorias, desde que as minorias sejam minorias“.

Foi nesse momento do seu discurso que assegurou: “Nunca tive na vida inteira problemas com qualquer tipo de minorias. Fui diplomata 40 e tal anos. Nunca na vida fui acusado de ter desrespeitado uma minoria ou um determinado grupo étnico, ou o que quer que fosse, muito menos as mulheres.”

O problema é que basta recuar pouco mais de uma semana para deparar com uma acusação de antissemitismo a Tânger Corrêa. Tanto por Sebastião Bugalho, candidato da Aliança Democrática (AD) às eleições para o Parlamento Europeu, como pela Embaixada de Israel em Portugal, entre outras vozes que criticaram as palavras proferidas pelo ex-diplomata numa entrevista ao jornal “Observador”, a 10 de maio.

Nessa entrevista, Tânger Corrêa sugeriu ou admitiu que os judeus podem ter sido avisados antecipadamente dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em território dos Estados Unidos da América (EUA), referindo-se ao suposto “facto” de que “estavam menos pessoas a trabalhar nas Twin Towers, que, como sabe, eram um local onde muitos judeus” trabalhavam – mais especificamente “90% ou 85% das pessoas que trabalhavam naquelas Twin Towers eram judeus“.

Uma tese que já tinha aliás defendido num livro em que escreveu que “nesse dia menos do que o habitual tinham comparecido ao emprego” e “terá sido talvez um alarme misterioso”, referindo-se explicitamente aos judeus e alegando que o número de judeus entre as vítimas mortais dos atentados foi muito menor do que se esperava.

“O conspiracionismo, o antissemitismo mais ou menos dissimulado e tudo o que os acompanha são – foram sempre – inimigos da democracia. A Europa não esquece. E nós também não”, escreveu Bugalho no X/Twitter, logo após a entrevista de Tânger Corrêa.

Por seu lado, também através de uma publicação no X/Twitter, a Embaixada de Israel em Portugal condenou “as declarações conspirativas que foram proferidas hoje. Nos dias de hoje, em que o antissemitismo está a aumentar, os líderes devem ser mais cuidadosos e responsáveis nas suas declarações”.

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