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Debates Europeias. Sebastião Bugalho: “Não há uma palavra para os emigrantes no programa do PS” (Atualizado)

Política
O que está em causa?
No último frente-a-frente na rádio "Observador", que juntou os dois cabeças-de-lista mais jovens destas eleições europeias, Sebastião Bugalho não perdeu a oportunidade de atacar Marta Temido após a acesa discussão de ontem à noite na RTP. Aproveitando o tema da "fuga de cérebros" para o estrangeiro, o candidato pela AD apontou que não há no programa do PS uma única palavra sobre os emigrantes. Confirma-se?
© Agência Lusa / Tiago Petinga

O debate desta tarde foi com Francisco Paupério, candidato ao Parlamento Europeu pelo Livre, mas Sebastião Bugalho parece não ter esquecido Marta Temido depois do confronto de ontem à noite na RTP – e de quem disse hoje esperar um “um pedido de desculpas” pelas acusações sobre Zelensky.

Lamentando a ausência da candidata nos debates da rádio “Observador”, que o impossibilitam assim de ter um confronto direto com a adversária, Bugalho aproveitou o tema da fuga de cérebros” para o estrangeiro para dizer que “não há uma palavra no programa do PS para os emigrantes”, onde se incluem os jovens que abandonaram o país. Já nos programas da AD e até do IL existe, sublinhou em contraponto.

Confirma-se?

Partindo do pressuposto de que Bugalho estaria a falar manifesto eleitoral do PS para as eleições europeias de 2024, não se confirma a sua alegação. É certo que o manifesto de 31 páginas não conta com a palavra “emigrantes” ou “emigração”, mas é falso que não diga nada sobre o assunto como o cabeça-de-lista da AD garante.

Na página 19 do manifesto, no ponto 5 que aborda a “Missão 5: uma UE para os jovens”, salienta-se como objetivo “combater a fuga de cérebros (“brain drain”), mediante instrumentos europeus que contrariem este fenómeno e que permitam assegurar o direito de todos os europeus a permanecer no seu território de origem, se esse for o seu desejo”.

Em oposição, o que se encontra no manifesto da AD sobre a emigração é que deve dar-se “uma atenção redobrada à comunidade portuguesa emigrada e aos lusodescendentes, melhorando os serviços públicos ao seu dispor, facilitando a sua participação cívica e promovendo a manutenção dos laços afetivos com Portugal”.

Ao Polígrafo a direcção de campanha da AD, cujo diretor é o deputado Emídio Guerreiro, enviou o seguinte esclarecimento sobre o tema: “A realidade da emigração é mais vasta do que a ‘fuga de cérebros’ tanto sociologicamente como no tempo. Portugal é um país de emigrantes há várias décadas e conta com várias gerações de portugueses e luso descendentes com laços afectivos, culturais e económicos com o seu país de origem.”

A mesma nota acrescenta ainda que a AD “preocupa-se e tem uma palavra específica para os nossos emigrantes no seu Programa e propõe acções concretas que vão ao encontro das preocupações dos nossos emigrantes”, já o PS, no seu programa, “ignora esta realidade“.

“O fenómeno da chamada fuga de cérebros é uma parte relevante da emigração mas circunscrevê-la a esse aspecto particular exclui uma realidade humana e afectiva que, como se referiu, é mais vasta e antiga. Foi nesse sentido que a candidatura se referiu à ausência de uma abordagem à emigração, considerada de forma lata. Neste quadro, tanto do ponto de vista literal como conceptual o Programa do PS ignora esta realidade”, conclui.

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Nota Editorial: Após publicação deste artigo, a direcção de campanha da AD enviou ao Polígrafo um esclarecimento que foi acrescentado ao texto no dia 2 de junho pelas 18h18.

Ainda que a realidade da emigração seja mais vasta do que a chamada “fuga de cérebros”, como aponta essa nota, não se pode, contudo, afirmar que não exista uma única palavra no programa do PS sobre o assunto. Existe, de facto, uma passagem do manifesto que aborda a temática da emigração, ainda que de forma pouco abrangente – o que não é o mesmo que dizer que pura e simplesmente o assunto está ausente do programa eleitoral socialista. Por esse motivo, não houver lugar a mudança de classificação.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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