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Debates Europeias. Pedro Fidalgo Marques: “A indústria da guerra, se fosse um país, era o quarto país mais poluidor do mundo”

União Europeia
O que está em causa?
No debate que juntou os cabeças de lista do Chega, Bloco de Esquerda, Livre e PAN, transmitido pela RTP1 esta quarta-feira, o candidato que representava a última destas forças políticas defendeu que deve “haver um apoio militar à Ucrânia”, mas nunca esquecendo que “as guerras têm um impacto ambiental enorme”.
© Filipe Amorim/Lusa

“Não podemos ser utópicos e achar que vamos, a curto prazo, e quando temos pessoas a morrer diariamente na Ucrânia, [fazer cessar a guerra] só com negociações”: as declarações foram proferidas, esta noite, pelo cabeça de lista do PAN às eleições europeias, Pedro Fidalgo Marques, no debate transmitido na RTP3.

Na sequência desta afirmação, apontou ser “necessário haver um apoio militar à Ucrânia” e que “isso não se põe em causa”, tal como defendem, inclusive, os Verdes Europeus, grupo político do qual o PAN é membro. Porém, acrescentou Pedro Fidalgo Marques, “não se pode esquecer, em paralelo, o caminho da negociação e da diplomacia”.

Até porque, segundo afirmou, “as guerras têm um impacto ambiental enorme”. E concluiu: “A indústria da guerra, se fosse um país, era o quarto país mais poluidor do mundo.” Confirma-se este dado?

Sim. A cifra consta de uma estimativa divulgada, em novembro de 2022, pelo Observatório de Conflitos e Ambiente (CEOBS, na sigla em inglês). Um relatório que mostrou que, de facto, a “pegada de carbono militar total é de aproximadamente 5,5% das emissões globais”, com base em dados de 2019.

Contas feitas, caso “as forças armadas do mundo fossem um país”, tal percentagem equivaleria à “quarta maior pegada de carbono nacional do mundo – maior do que a da Rússia”. Superior só a da China (que lidera a lista, com 24% das emissões globais), os Estados Unidos da América (12%) e a Índia (6,8%). 

Assim, concluímos que a afirmação do cabeça de lista do PAN às eleições de 9 de junho é verdadeira. 

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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